Sábado, 18 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 16 de julho de 2026
Um jogo para a eternidade e também um confronto de ideias semelhantes na base, mas muito diferentes na execução. A final da Copa do Mundo, entre Argentina e Espanha, no domingo, promoverá um duelo entre equipes que amam ter a bola e o controle do jogo no meio-campo, mas que, definitivamente, não conseguem dividir o mesmo momento dentro de uma partida. Uma tende a inviabilizar a outra. Os 90 ou 120 minutos que serão disputados no MetLife Stadium, em Nova Jersey, a partir das 16h, serão um cabo de guerra bem claro: o controle minucioso, lapidado e quase silencioso da Fúria ou a versão arrojada, inquieta e perfeitamente caótica da Albiceleste.
Antes de tudo, é preciso analisar como as finalistas chegaram até aqui. As características da Espanha levaram a equipe à decisão de uma forma mais discreta. A imagem da fase de grupos pouco inspirada só mudou mesmo após eliminarem contundentemente a França, ampla favorita, na semifinal.
Os números, todavia, mostram que a Fúria, que passou por Áustria, Portugal e Bélgica, exerce dominância dos dois lados do campo. Além de só ter sofrido um gol ao longo da competição — diante da Bélgica, nas quartas de final —, é uma das equipes que mais geraram volume de jogo. Entre as semifinalistas, tem a maior média de finalizações: 17,1 (6 no gol) por jogo. Marcou 13 vezes.
Já a Argentina, que protagonizou quatro jogos emocionantes no mata-mata (Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra), precisou se expor bem mais. Sofreu gols em todas as partidas eliminatórias e avançou com viradas ou prorrogações. Os argentinos sofreram sete gols, mas chegam com o melhor ataque, com 19.
A chave da partida estará nas ações no meio-campo. É até possível descrever o choque de ideias entre um jogo mais posicional da Espanha e outro mais funcional da Argentina, mas há peculiaridades. A linha de quatro meias albiceleste, por exemplo, tem um funcionamento muito próprio de gatilhos de amplitude, avanço e ocupação de espaços. Na principal diferença para os espanhóis, é um setor que tende a acelerar mais o ritmo da partida e envolver mais laterais e atacantes.
Nas inversões diretas e indiretas de jogo ou nas movimentações em que conseguem empurrar defesas para trás, os comandados de Lionel Scaloni podem encontrar Messi livre numa zona entre o meio e o ataque. Autor de 12 participações em gols nesta Copa, o craque, que já faz diferença em contextos mais complexos, é potencializado (e poupado) pelo espaço que recebe e pela simplicidade (em seu próprio nível) de movimentos que precisa executar.
Nas várias ocasiões em que pegou adversárias fechadas, o meio argentino também mostrou repertório para finalizações de fora da área ou infiltração, principalmente com Enzo Fernández e Mac Allister.
Por outro lado, os comandados de Scaloni são mais suscetíveis a efeitos da condição física e da característica do jogo defensivo. Roubam mais bolas, ganham mais duelos individuais, mas tendem a se desgastar mais rápido. Um dos dilemas de Scaloni será entender se o melhor caminho é tentar tirar a bola da Espanha, numa proposta mais cansativa, ou tentar explorar erros, algo mais arriscado — vide o que a França sofreu.
Essa dúvida passa pela característica e pela excelência da Espanha. O trio de meias Rodri, Dani Olmo e Fabián Ruiz está entre os quatro meias que mais acertam passes entre os semifinalistas. O “intruso” na lista é justamente Mac Allister.
Rodri, que vive grande Copa do Mundo, é o maior ladrão de bolas nos meios-campos das semifinalistas. É o ponto de apoio de um setor que varia entre uma versão mais física e vertical, com Fabián Ruiz, ou mais técnica, criativa e inventiva, com Pedri. A tendência é que Fabián, que já atuou contra a França, seja mantido pelo técnico Luis de la Fuente na decisão.
Outra característica importante do controle espanhol é a capacidade de abrir espaço nas defesas. Há paciência e capacidade técnica para isso. O estilo do jogo da Fúria não permite uma percepção tão fácil disso, mas a Espanha é uma das equipes que mais corre pelo campo neste Mundial. É um time que constantemente busca os limites da última linha de defesa para encontrar as costas dos defensores. Foi assim, por exemplo, que Pedro Porro marcou sobre os franceses, e Mikel Merino, sobre Portugal. Os chutes de fora até acontecem (como no gol da vitória sobre os belgas), mas são mais raros.
É uma equipe que se defende por zona, de forma organizada. O único gol que sofreu veio justamente numa rara falha da proposta, quando os belgas provocaram uma dobra de marcação pelo setor defensivo esquerdo. Nesse mesmo setor, porém, joga Cucurella, um dos melhores e mais completos laterais da atualidade. É um dos raros protagonistas individuais dessa equipe, junto ao atacante Oyarzabal, autor de cinco gols. Outro protagonista projetado para o torneio, o jovem atacante Lamine Yamal faz Copa tímida, mas cresceu no mata-mata. As informações são do jornal O Globo.
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