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Mundo Espanha não quer entregar general venezuelano aos Estados Unidos

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Ex-chefe da inteligência de Chavez foi preso em setembro após passar dois anos foragido. (Foto: Reprodução)

O Tribunal Nacional da Espanha suspendeu a extradição do ex-chefe de inteligência de Hugo Chávez, o militar venezuelano Hugo Carvajal, para os Estados Unidos, onde é acusado de tráfico de drogas. A decisão se sobrepõe a resoluções anteriores da corte espanhola que haviam negado o adiamento da entrega do venezuelano a autoridades americanas.

Chefe dos serviços de Inteligência venezuelanos sob a presidência de Chávez, Carvajal foi preso em setembro, em Madrid, depois de passar quase dois anos foragido. Para fugir das autoridades, o general aposentado de 61 anos se submeteu a cirurgias estéticas, usava bigode e peruca e mudava de endereço a cada três meses, segundo a polícia espanhola.

De acordo com um comunicado do tribunal espanhol, a extradição de Carvajal foi adiada em função de um erro formal em uma ordem judicial anterior, apontado pela defesa do militar, o que fez a corte “concordar em suspender a materialização da entrega aos Estados Unidos” até a correção do erro. O órgão judicial, contudo, não informou em quanto tempo a questão será resolvida.

Carvajal

Fontes do Judiciário espanhol afirmaram durante a última semana que a extradição de Carvajal ocorreria neste sábado (23), após as decisões confirmarem a entrega do militar às autoridades americanas. Na quarta-feira (20), o tribunal ordenou que a extradição fosse concluída assim que fosse negado o pedido de asilo de Carvajal à Espanha, enquanto na quinta (21) rejeitou novamente o adiamento, em resposta a um pedido para que o venezuelano participasse como testemunha em um processo sobre o financiamento do partido espanhol Podemos por Venezuela e Irã.

Caso a extradição seja concluída ainda nesta semana, este seria o segundo ex-oficial do chavismo a ser entregues a autoridades americanas nos últimos dias. No fim de semana passado, Alex Saab, um conselheiro próximo de Nicolás Maduro, foi extraditado para os EUA sob acusações de lavagem de dinheiro e vínculo com o Hezbollah.

Maduro imediatamente encerrou as negociações que haviam sido abertas com a oposição e mandou prender seis executivos de companhias de petróleo americanas no país. Em um pronunciamento em rede de televisão nacional, o presidente chegou a afirmar que o “império americano” teria violado leis internacionais para prender o diplomata venezuelano — o que foi prontamente negado pelo secretário de Estado americano, Antony Blinken, que disse que o caso contra Saab é antigo e não configura uma represália dos EUA ao governo Maduro.

Ao contrário de Saab, no entanto, uma possível extradição de Carvajal não deve gerar a mesma comoção entre a cúpula do governo atual. Depois de ser uma figura importante no chavismo, Carvajal acabou rejeitado por Nicolás Maduro após apoiar publicamente o opositor Juan Guaidó em 2019.

Ele então partiu de barco para a República Dominicana, e depois voou para a Espanha, onde foi preso em abril do mesmo ano, a pedido dos Estados Unidos, que o acusa de ter pertencido ao chamado Cartel de los Soles.

Um tribunal de Nova York acusou Carvajal em 2011 de coordenar o embarque de 5,6 toneladas de cocaína da Venezuela para o México em 2006, que mais tarde chegou aos Estados Unidos — o que pode resultar em prisão perpétua.

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