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Brasil Especialistas alertam para os riscos da “obesidade oculta”

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Segundo os peritos do Tribunal de Justiça, o valor esperado pra uma pessoa ser considerada apta a trabalhar é entre 18 e 25. Mas, essa exigência não estava no edital. (Foto: Reprodução)

Se você não entende (e tem até raiva) de quem só come besteira e não engorda, não se aflija. As aparências enganam e, por trás de uma bela silhueta, podem estar altos riscos de doenças compatíveis com a obesidade. Algumas das razões seriam altas taxas de gordura, como ela se acumula no corpo e a proporção entre ela e o peso total. Os aspectos, entretanto, não são avaliados pelo IMC (Índice de Massa Corporal), utilizado para avaliar perfis nutricionais de populações.

Diante disso, o índice, que relaciona apenas peso e altura, não deve, alertam especialistas, ser o único medidor para avaliar um indivíduo. O ideal é aliar a outras ferramentas. Segundo um artigo publicado na revista “Frontiers in Public Health”, em países desenvolvidos, até 90% dos homens, 80% das mulheres e 50% das crianças têm percentual de gordura prejudicial.

A verdade é que os “falsos magros” podem até ter um IMC na média, mas também podem estar na faixa de risco. “Quem tem alto índice de gordura visceral ou abdominal tem o mesmo risco de doenças cardiovasculares, diabetes e dislipidemia que obesos. Por outro lado, obesidade com distribuição e depósito de gordura em outras partes do corpo que não abdominal, podem ter boas taxas”, diz Ana Carolina Nader, chefe do serviço de endocrinologia do Hospital Federal dos Servidores do Estado. A médica ressalta a importância de se medir a cintura abdominal para elevar acertos nos diagnósticos clínicos.

Para avaliar a composição corporal e ter indícios de problemas, o nutricionista Felipe Rizzetto diz que há várias ferramentas que estimam osso, músculo, gordura e água. Muita gordura e pouca massa magra? Cuidado: as razões para explicar por que existem “falsos magros” envolvem fatores genéticos e outros, relacionados aos maus hábitos, como consumo exagerado de produtos industrializados e gordurosos e nenhuma atividade física.

Quem tem alto percentual de gordura e não aparenta tem quantidade de massa magra inadequada — e para aumentá-la, precisa de exercício físico. “Em regiões metropolitanas, o IMC normal, mas com percentual de gordura alto, tem relação com sedentários. No interior, isso ocorre pela carência nutricional: muita oferta de carboidrato e pouca de proteína. Esses fatores fazem com que não haja desenvolvimento muscular adequado”, observa Rizzetto, do Hospital Federal da Lagoa, no Rio de Janeiro.

Dentre as possíveis complicações de uma pessoa com IMC bom, mas altos índices de gordura e pouca massa magra, estão problemas metabólicos, hepáticos, cardíacos, aumento de lipidemia (gordura saturada no sangue), do colestrol e de triglicerídeo e até de alguns tipos de câncer.

Medição

Mesmo reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como a principal referência para faixas de peso, o IMC não deve ser o único parâmetro para riscos ligados à obesidade. Para medi-lo, a fórmula é o valor do peso dividido por altura ao quadrado. Se o resultado for menor que 18, está abaixo do peso. Entre 18,5 e 24,49, é normal. Entre 25 e 29, 9, há sobrepeso. Se estiver entre 30 e 35, indica obesidade.

No consultório, com um aparelho similar a uma pinça, é possível fazer medição de pregas cutâneas em locais específicos do corpo. Dentre eles estão o abdômen e a coxa, capazes de proporcionar uma estimativa do percentual de gordura.

Já por meio da chamada “bioimpedância”, um aparelho específico mede a composição corporal, emitindo laudo com IMC, massa magra, quantidade de água corporal e média de gordura por parte do corpo. Isso tudo ajuda a tirar a dúvida sobre o “falso magro”.

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