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Brasil Especialistas analisam os erros que provocaram a escassez de vacinas no Brasil

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Imunizante será utilizado apenas na Capital, para primeira injeção em idosos e pessoas com comorbidades. (Foto: Giulian Serafim/PMPA)

Em junho de 2020, o Ministério da Saúde anunciou a compra de 100 milhões de doses da vacina Oxford-AstraZeneca em parceria com a Fiocruz. Em agosto, a Pfizer/BioNTech ofereceu ao governo brasileiro 70 milhões de doses a serem entregues a partir de dezembro. O Brasil havia passado das 100 mil mortes. O governo federal não respondeu à farmacêutica.

“Isso fez com que o Brasil ficasse no final da fila. Agora, poderíamos ter vacina da Pfizer, da Johnson & Johnson assinados, contratos com o Brasil, e fornecimento no primeiro semestre”, afirma Carla Rodrigues, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunização.

Em setembro, o governo de São Paulo assinou um contrato para comprar 46 milhões de doses da CoronaVac – em parceria com o Instituto Butantan. Em outubro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou em um encontro com governadores que o governo iria também comprar a CoronaVac. No dia seguinte, foi desmentido pelo presidente Jair Bolsonaro. “Um manda, o outro obedece”, disse Pazuello à época.

Além de negar a compra, Bolsonaro fez diversas críticas à CoronaVac, como em outubro de 2020. Na internet, ele disse: “A da China, lamentavelmente, já existe um descrédito muito grande por parte da população. Até porque, como dizem, esse vírus teria nascido lá”.

“Atitude lamentável do presidente, de estar estimulando esse tipo de preconceito, ao denominar vacina chinesa. A plataforma da CoronaVac é uma plataforma usada há anos e anos de vacina. É uma plataforma conhecida de vírus inativado, é uma vacina segura. Nós temos vacinas no Brasil, que a gente usa de vírus inativado, e são vacinas ótimas”, comenta a epidemiologista Denise Garret.

Em dezembro, o Reino Unido se tornou o primeiro país do mundo a aprovar emergencialmente uma vacina. E começou, em 8 de dezembro, a aplicar as primeiras doses da Pfizer. No Brasil, o Ministério da Saúde e a farmacêutica não conseguiam chegar a um acordo.

“Lá na Pfizer, tá bem claro lá no contrato: nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré é problema de você, pô. Não vou falar outro bicho porque vou falar besteira aqui, né? Se você virar super homem, se nascer barba em alguma mulher aí, ou algum homem começar a falar fino, eles não tem nada a ver com isso. E o que é pior: mexer no sistema imunológico das pessoas”, declarou Bolsonaro.

“Além de não se haver um interesse em comprar, em adquirir o maior número possível de doses, o presidente ainda fez questão de minar a confiança da população na vacina – o que é realmente, totalmente incompreensível uma pessoa fazer isso. Dizendo que vai se tornar jacaré ou se tiver efeito colateral. O presidente não tem nenhuma formação para entender – e parece que até hoje ele não entende – como é um processo de desenvolvimento de uma vacina, que é um processo com um padrão super rigoroso, um processo extremamente seguro. Eu considero isso criminoso, porque nós estamos falando de vidas. Pessoas estão morrendo”, opina Denise Garret.

Em 24 de dezembro, México, Chile e Costa Rica começaram a vacinar – todos com a Pfizer. Depois do Natal, quando o Brasil chegava perto dos 200 mil mortos, Bolsonaro foi questionado sobre o começo da vacinação no Brasil. “Ninguém me pressiona para nada, eu não dou bola para isso”, afirmou.

A apoiadores, Bolsonaro disse: “O Brasil tem 210 milhões de habitantes, um mercado consumidor de qualquer coisa enorme. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para a gente? Por que eles, então, não apresentam documentação na Anvisa? Pessoal diz que eu tenho que ir atrás. Não, não. Quem quer vender. Se eu sou vendedor, eu quero apresentar.”

“Fica muito claro que o Ministério da Saúde não acreditou que haveria necessidade de vacinar uma grande quantidade de pessoas no nosso país. E, por isso, não se firmou vários contratos, principalmente abrindo mão de assinar contratos com laboratórios que procuraram o país, da mesma forma que o próprio presidente falou, que os laboratórios deveriam procurar o Brasil. Os laboratórios procuraram e o Brasil negou assinatura desses contratos”, destaca Carla Rodrigues.

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