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Saúde Especialistas dizem que não é preciso medir a taxa de anticorpos após a vacinação contra o coronavírus

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A Sociedade Brasileira de Imunizações não recomenda a realização desses exames. (Foto: Daniela Xu/UFPel)

Nas últimas semanas, profissionais da saúde observaram um aumento considerável na busca por testes que avaliam a presença de anticorpos contra o coronavírus no organismo.

Apesar de não existirem estatísticas oficiais sobre o assunto, acredita-se que o aumento do interesse por esses exames esteja diretamente relacionado ao avanço da vacinação no país.

Após tomarem as duas doses do imunizante, as pessoas querem saber se estão efetivamente protegidas contra a covid-19.

Mas há um problema sério nisso: os testes disponíveis no mercado atualmente não são capazes de fornecer essa resposta de forma satisfatória.

E isso sem contar que a medição de anticorpos pós-vacinais não muda em nada as recomendações de cuidados e prevenção durante a pandemia.

O assunto evoluiu a tal ponto que a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) precisou emitir um parecer técnico oficial em que não recomenda a realização desses exames depois da imunização.

“Avaliações laboratoriais desse tipo não vão esclarecer nada e podem causar confusão. Quando o resultado dá negativo, a pessoa pode acreditar que a vacina não funcionou nela. Se der positivo, há o risco de abandono das medidas de proteção”, explica a pediatra Flávia Bravo, diretora da SBIm.

“E, na realidade, nenhuma dessas interpretações está correta”, completa.

“Esses testes são muito novos e nós não temos ainda informação suficiente sobre qual é a real aplicabilidade deles”, concorda o patologista clínico Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial.

Mas como os especialistas chegaram nesse posicionamento? E por que os exames de anticorpos podem mais atrapalhar que ajudar?

Para responder a essas questões, é preciso antes desvendar alguns detalhes do misterioso e fascinante mundo da imunidade.

Sempre alerta

Vírus, bactérias, picadas de inseto, farpas… Todo corpo estranho que invade nosso organismo logo é identificado (e, se necessário, atacado) por um time de células que integram o sistema imunológico.

Falamos dos linfócitos, monócitos, neutrófilos, basófilos, eosinófilos, macrófagos e outras unidades responsáveis por proteger o corpo contra as mais variadas ameaças.

De forma bastante resumida, essa equipe possui três formas de atuação principais.

A primeira delas é a chamada imunidade inata.

“Parte do sistema de defesa tem essa capacidade de agir rapidamente, em questão de minutos ou poucas horas”, ensina o médico João Viola, presidente do Comitê Científico da Sociedade Brasileira de Imunologia.

Essa resposta inata pode ser facilmente observada quando a gente toma uma picada de pernilongo na pele: a região fica ligeiramente inchada, avermelhada e começa a coçar.

Isso significa que algumas células estão agindo ali, em tempo real, para identificar e combater aquelas substâncias que o mosquito injeta ao sugar nosso sangue.

Prazo estendido

Os outros dois tipos de imunidade demoram um pouquinho mais para surtir resultado.

Tratam-se das respostas humoral e celular. Ambas são mediadas por um tipo de célula importantíssima do sistema de defesa: os linfócitos.

“A resposta humoral é feita pelos linfócitos B, que entram em contato com partes do agente patogênico e, após dez a 20 dias, desenvolvem anticorpos conhecidos como IgA, IgG e IgM”, detalha Viola, que também é pesquisador do Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro.

Já a resposta celular depende dos linfócitos T, que também demoram de duas a três semanas para “aprender a lidar” com os agentes infecciosos.

Eles são responsáveis por coordenar todo um batalhão de outras células que contra-atacam e destroem os vírus, bactérias, fungos, protozoários ou outros vilões que estão causando problema em alguma parte do corpo.

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