Terça-feira, 31 de março de 2026
Por Redação O Sul | 31 de março de 2026
O Brasil concentra a segunda maior reserva de terras-raras do mundo, atrás apenas da China.
Foto: Saulo Cruz/Agência SenadoA fala do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o papel estratégico do Brasil no fornecimento de minerais críticos aos Estados Unidos provocou reação de políticos de esquerda e integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Durante participação na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas, no sábado, o parlamentar afirmou que o país pode ser “a solução” para reduzir a dependência americana da China em terras-raras.
“O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras-raras e minerais críticos”, disse o senador, pré-candidato à Presidência da República.
A declaração foi alvo de críticas de governistas, que acusaram Flávio Bolsonaro de defender uma relação de submissão aos interesses americanos. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que episódios como esse mostram que adversários do governo não recuam de posições que classificou como prejudiciais ao país. “Os vendilhões da pátria não tomam jeito”, escreveu nas redes sociais.
Já o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) elevou o tom e disse que a fala do senador representa “o fato mais grave das eleições de 2026 até aqui”. Segundo ele, Flávio Bolsonaro teria se comprometido publicamente a entregar recursos estratégicos do país em troca de apoio externo.
“Este cidadão está oferecendo as riquezas e o futuro do povo brasileiro a uma potência estrangeira em troca de apoio. Entenderam o que vai estar em jogo em outubro?”, questionou.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) também criticou o posicionamento e chamou o senador de “traidor da pátria” e “vendilhão de Trump”, acusando-o de atuar em favor de interesses estrangeiros ao tratar recursos naturais brasileiros como ativos disponíveis ao exterior.
A fala de Flávio Bolsonaro ocorreu no mesmo discurso em que pediu monitoramento internacional das eleições brasileiras e criticou o governo Lula. O senador tem intensificado agendas no exterior como parte da estratégia de se projetar como nome da direita para a disputa presidencial de 2026.
No campo geopolítico, o tema das terras-raras ganhou relevância nos últimos anos diante da disputa entre Estados Unidos e China. Os minerais são essenciais para a produção de tecnologias como baterias, turbinas e equipamentos eletrônicos, e hoje os chineses dominam grande parte da cadeia global de produção e processamento.
Elas são um conjunto de 17 elementos químicos da tabela periódica. Apesar do nome, são facilmente encontrados no solo e em minerais. O problema é que aparecem em baixas concentrações. Isso torna sua extração complexa, cara e ambientalmente sensível. Em depósitos extensos, aproveita-se pouco.
O Brasil concentra a segunda maior reserva de terras-raras do mundo, atrás apenas da China. Dados recentes do Serviço Geológico do Brasil indicam que o país reúne cerca de 23% das reservas globais desses elementos.
Além de o Brasil ter grandes reservas de terras-raras, está em uma posição única fora da Ásia no quesito qualidade. O país tem ETRs em depósitos de argila iônica. Reservas desse tipo, na província de Jiangxi, no centro-sul da China, foram o diferencial do país asiático para dominar o setor.
Entram nessa lista o lítio, o nióbio, o cobalto, o grafite e as próprias terras-raras. No caso do lítio, fundamental para baterias de carros elétricos, o Brasil detém cerca de 8% das reservas mundiais. Já em nióbio, usado na produção de ligas metálicas de alta resistência para a indústria e para o setor aeroespacial, o país responde por 93,1% das reservas globais.
Para especialistas, os minerais críticos vão exercer papel similar na geopolítica global ao do petróleo no século XX. O rápido desenvolvimento de novas tecnologias avançadas, das baterias de carros elétricos e painéis fotovoltaicos aos semicondutores e armamentos, provocou um aumento global da demanda por minerais críticos que são insumos dessas novas indústrias.
Os minerais críticos têm sido cada vez mais importantes para a transição energética e para o avanço tecnológico. Por isso, estão no centro da corrida global por inovação e segurança econômica. O rápido desenvolvimento de baterias de carros elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, semicondutores e equipamentos de defesa elevou a demanda por esses insumos em todo o mundo.
No setor de defesa, terras-raras e outros minerais críticos estão presentes em equipamentos sensíveis e estratégicos. Eles são empregados, por exemplo, na fabricação de radares, sistemas de comunicação, mísseis guiados, equipamentos de visão noturna e componentes eletrônicos de alta precisão. (Com informações do jornal O Globo)
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