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Política Estados Unidos mandam o delegado brasileiro envolvido na prisão do ex-colega Alexandre Ramagem deixar o país

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Alexandre Ramagem foi preso pela polícia migratória dos Estados Unidos na semana passada. (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

O governo norte-americano ‌anunciou nessa segunda-feira (20), pela rede social X (antigo Twitter), a expulsão de um delegado brasileiro supostamente envolvido na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem pela polícia migratória dos Estados Unidos na semana passada.

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para ⁠contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao ‌território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, ‌diz um texto publicado pela conta ‌do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do ⁠Departamento de Estado dos EUA.

Apesar de a publicação na rede social não citar nenhum nome, a embaixada norte-americana em Brasília confirmou à Reuters que a autoridade mencionada é o adido da Polícia Federal (PF) em Miami Marcelo Ivo de Carvalho, oficial de ‌ligação do governo brasileiro junto à polícia imigratória norte-americana.

Duas fontes ‌do governo brasileiro ⁠ouvidas pela Reuters ⁠disseram não ter informações sobre a expulsão, tendo sido informadas sobre o ⁠caso apenas pela imprensa. Até o momento da divulgação da reportagem, não havia posicionamento oficial público do Ministério da Justiça ou da Polícia Federal sobre a medida anunciada pelos Estados Unidos.

Ramagem, ‌que foi chefe da ‌Agência Brasileira de Inteligência (Abin) do governo Jair Bolsonaro, está foragido nos EUA desde setembro do ano passado, após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação ⁠na tentativa de golpe de Estado liderada por Bolsonaro.

O ex-deputado, que teve seu mandato cassado pela Câmara, mora com a família em Orlando, na Flórida, onde foi detido há uma semana pelo ICE, ‌a agência federal dos EUA que atua na aplicação das leis de imigração. Ele foi solto dois dias depois. A prisão gerou repercussão política no Brasil e nos Estados Unidos, especialmente em razão do histórico de Ramagem no governo Bolsonaro e da condição de condenado pela Justiça brasileira.

No dia ⁠da prisão de Ramagem, a PF brasileira afirmou, sem citar nomes, que um brasileiro fora preso nos EUA em decorrência de “cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”, acrescentando que o preso era “considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”.

A declaração da PF indicava atuação conjunta entre autoridades dos dois países, mas a manifestação posterior do governo norte-americano sugeriu desconforto com a conduta atribuída ao representante brasileiro. Não foram detalhadas, contudo, quais ações motivaram a decisão de solicitar sua saída do território norte-americano.

Aliados de Ramagem argumentaram que a prisão havia ocorrido por infração leve de trânsito. Pessoas próximas ao ex-deputado também sustentaram que não houve relação direta entre a detenção e eventual pedido de cooperação judicial vindo do Brasil, versão que contrasta com a nota divulgada anteriormente pela Polícia Federal. (Com informações da agência Reuters)

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