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Mundo Estados Unidos vivem reviravolta econômica, como diz Trump? Especialistas contestam

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Trump herdou uma taxa mais baixa, de 3%. (Foto: Reprodução)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na semana passada que o país vive “reviravolta econômica histórica”. Mas especialistas observam que nem todos os dados confirmam esse cenário positivo. O portal Uol ouviu  especialistas independentes e analisou dados oficiais do Departamento de Trabalho, do Bureau of Economic Analysis e do Federal Reserve.

O que está correto

“Menor inflação em 5 anos” e queda no preço da gasolina. O CPI (Índice de preços ao consumidor) avançou 2,4% em janeiro na comparação anual, menor marca desde 2021, segundo Gabriel Uarian, analista chefe da Cultura Capital. O CPI mede diretamente como os preços ao consumidor estão evoluindo.

Já a gasolina apresentou queda no acumulado anual. Isso contribuiu para aliviar a percepção do consumidor, observa Fernando Benavenuto, planejador financeiro CFP e sócio da Anvex Capital. Contudo, Ludmila Culpi, economista e professora do curso de negócios internacionais da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), faz uma ressalva.

“Isso não é fruto do esforço somente do governo Trump. A inflação atingiu seu pico nos EUA de 9,1% em meados de 2022 (absurda para a realidade de taxa baixíssima ao longo dos anos) e vinha em uma trajetória consistente de queda durante todo o ano de 2023 e 2024. Trump herdou uma taxa mais baixa, de 3%. Portanto, todo esforço de contração monetária, com elevação das taxas de juros (e sacrifício do crescimento do PIB) do FED, não é mérito único da administração Trump mas resultado de medidas iniciadas anteriormente ao seu governo.”, Ludmila Culpi, economista.

O que não é bem assim

“Sucesso econômico forte” e trilhões entrando no caixa. Em 2025, o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos cresceu 2,2%, o que é menor do que o registrado em 2024, quando ficou em 2,8%. No ano passado, o ritmo da economia perdeu força no quarto trimestre, quando o PIB apresentou desaceleração. “O dado é sólido, mas não é explosivo”, diz Uarian.

“O último trimestre de 2025 mostrou desaceleração relevante, com crescimento anualizado de 1,4%, bem inferior ao ritmo observado no trimestre anterior. Isso indica uma economia ainda em expansão, mas sem aceleração consistente que caracterize uma virada estrutural recente.”, Fernando Benavenuto, planejador financeiro CFP.

Queda em preços dos ovos e remédios. O preço dos medicamentos ficou praticamente estável no último dado divulgado, e os preços relacionados a ovos não mostraram queda clara no índice oficial, observa Benavenuto. “A inflação está controlada, mas a narrativa de queda generalizada em todos os itens não é totalmente respaldada pelos números”, explica o planejador financeiro.

Desemprego está baixo e mais norte-americanos estão empregados do que em qualquer momento da história do país. Em janeiro deste ano, a taxa de desemprego ficou em 4,3%, menor do que a registrada em dezembro (4,4%). Porém, o mercado de trabalho vem esfriando desde 2023. “(É) baixo historicamente, mas sem melhora dramática”, observa o analista chefe da Cultura Capital. Já Culpi observa que a taxa de desemprego, na verdade, subiu levemente sob o governo Trump, pois havia atingido mínimas de 3,4% a 3,7% no governo de Biden.

“O ritmo de criação de vagas não sugere um boom recente. Janeiro registrou cerca de 130 mil novos empregos, e a média mensal de 2025 foi bastante modesta após revisões estatísticas. A afirmação de que há “mais americanos empregados do que em qualquer momento da história” pode ser verdadeira em termos absolutos, já que a população cresce ao longo do tempo. Porém, indicadores mais relevantes, como taxa de participação e relação emprego-população, mostram estabilidade, e não uma expansão acelerada”, Fernando Benavenuto.

EUA registraram US$ 18 trilhões em novos investimentos contra US$ 1 trilhão em 4 anos de Biden. “Número muito inflado com promessas e anúncios, não com valores efetivamente investidos”, observa Uarian. Para Benavenuto, esse é o ponto mais sensível no discurso do presidente norte-americano.

“Esse número não encontra respaldo claro nos dados disponíveis. Levantamentos indicam que os anúncios de investimentos divulgados oficialmente somam algo próximo de US$ 9,7 trilhões, valor que já inclui promessas plurianuais e compromissos ainda não necessariamente executados. Além disso, quando se observa o fluxo efetivo de investimento estrangeiro direto, os números são da ordem de centenas de bilhões de dólares por ano, não trilhões anuais. Há, portanto, uma diferença importante entre anúncios e investimento efetivamente realizado”, diz Benavenuto. (Com informações do portal Uol)

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