Sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de fevereiro de 2018
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, admitiu que poderá sair do PSD para ser candidato à Presidência da República. O destino preferido, até agora, é o MDB. Dono de apenas 2% das intenções de votos, Meirelles disse, porém, que tem conversado “com vários partidos” e feito pesquisas qualitativas para medir o seu potencial de crescimento. “A questão que estamos discutindo é qual será o meu partido”, afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.
1 – O sr. já sondou marqueteiros, como Duda Mendonça, para fazer sua campanha. O que falta para definir a candidatura?
De fato, tenho um assessor que conversou com Duda Mendonça, com Eduardo Fischer, com o próprio Fábio Veiga, que eu contratei para fazer o Twitter e o Facebook, e com outros. Estou fazendo pesquisas qualitativas que mostram o potencial de crescimento e vamos avaliar o cenário. Não tomo decisões por um lampejo.
2 – O PSD, seu partido, deve apoiar a candidatura do governador Geraldo Alckmin (PSDB) por causa de um acerto em São Paulo. Diante disso, o sr. pode se filiar ao MDB do presidente Temer?
Eu tenho conversado com vários partidos. Evidentemente, o MDB tem grande tempo de TV, mas primeiro tenho de tomar a decisão. A questão que estamos discutindo é qual será o meu partido. Tive ótimas conversas com Kassab [ministro Gilberto Kassab]. Ele vai se posicionar em relação a fatos concretos: ter um candidato a presidente da República ou ter candidato a vice-governador de São Paulo. No caso, ele próprio.
3 – O sr. disse que uma eventual candidatura do presidente Temer não inviabiliza a sua. Mas o sr. e ele não disputam o mesmo eleitorado?
É absolutamente plausível ter dois candidatos. Nada impediria e verificaríamos quem iria para o segundo turno ou não. Dito isso, acho que a melhor estratégia é ter um único candidato para representar esse programa de reformas que está sendo conduzido.
4 – Pode haver uma chapa pura do MDB, tendo o sr. de vice?
Eu não sou candidato a vice. Não tenho interesse. Já fui convidado para ser candidato a vice da Dilma (Rousseff), em 2010, e do Aécio (Neves), em 2014.
5 – O sr. fala em um candidato único da coligação, mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quer disputar. Além disso, embora o PSDB não seja mais da base aliada, o governador Alckmin é do mesmo espectro, de centro. Acha possível unir todos esses partidos?
Vai depender de os candidatos terem a disposição de fazer uma composição. Eu tenho e o presidente Temer também. Os outros eu não sei.
6 – Ainda não se sabe se o ex-presidente Lula poderá ser candidato do PT. No outro extremo, de direita, está o deputado Jair Bolsonaro (PSC). Se o centro político não se arrumar logo, não perderá espaço?
A candidatura [de centro] colocada de fato na mesa é a do Geraldo Alckmin. O Rodrigo Maia está dentro dessa discussão se é candidato. Certamente haverá um candidato apoiado pelo governo. O mais provável é ser o presidente ou eu próprio.
7 – No Planalto se diz que o candidato da base deve defender o “legado do governo”. Mas o sr. defenderia o presidente das denúncias que pesam contra ele?
Com toda certeza. Trabalho com ele e acredito que o presidente tem feito uma administração excelente. Sou parte dela. Se for candidato, defenderei. Não tenho dúvida.
8 – O sr. defende o fim do auxílio-moradia?
Eu abri mão. De fato, no meu caso, não preciso. É uma questão complexa. A regra precisa ser melhorada para não configurar privilégio.
9 – Até agora, o seu discurso é voltado para o ajuste fiscal, um tema árido para a campanha. Qual será a sua plataforma social?
A melhor política social que existe é a criação do emprego. Além disso, vamos reforçar e, se necessário, ampliar o Bolsa Família. Recurso para a saúde é fundamental, e, para tanto, é necessário crescimento e aumento da arrecadação. A reforma do ensino médio também foi muito importante. As coisas estão todas interligadas e a economia está no centro.
10 – Ao que tudo indica, essa campanha será marcada por denúncias. O sr. não teme se tornar alvo pelo fato de ter presidido o Conselho de Administração da J&F?
Isso não é um problema porque minha carreira é inquestionável. Não é sujeita a nenhum tipo de dúvida ou problema e não há segredo no mercado financeiro de São Paulo. Qualquer pessoa sabe que meu trabalho ali [na J&F] era exclusivamente dedicado à construção da plataforma digital do Banco Original, na marginal do Pinheiros, e não na do Tietê [onde fica a sede da J&F Investimentos].
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