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Saúde Estão acusando os aplicativos de namoro pelo aumento de 15% nos casos de gonorreia e 9% de sífilis

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No Brasil, país que abriga 10% de todos os usuários do Tinder, as DSTs também têm crescido. Crédito: Reprodução

Cláudio Fonseca, 43 anos, já perdeu as contas de quantas mulheres conheceu pela internet. Começou nas salas de bate-papo on-line e passou por todas as redes sociais. Foi do falecido Orkut ao já quase ultrapassado Facebook. Mas o administrador não ficou para trás e hoje é um dos 10 milhões de brasileiros à procura de um par pela nova mania nacional: o Tinder. O aplicativo para celular, lançado em 2013, não é a única opção. “Uso o Pof, o Happn, o Badoo e outros mais antigos, como o Par Perfeito. O único que não usei foi o ‘Adote Um Cara’, que não combina comigo”, brinca ele, que já se envolveu com mulheres de todos os aplicativos.

A variedade de ferramentas de relacionamento disponíveis na palma da mão é grande. Há opções voltadas para quem quer namorar sério, como o Kickoff; para o público homossexual, como o Grindr, e até para os que procuram alguém da mesma religião, como o Divino Amor. A quantidade de usuários não fica atrás. No mundo todo, só o Tinder registra cerca de 800 milhões de interações por dia, contando as curtidas, “rejeições” e visualizações de imagens dos perfis, além de 10 milhões de “matches” – quando duas pessoas “gostam” uma da outra e podem começar um bate-papo.
Mas nem tudo é só prazer. Para a organização americana Aids Healthcare Foundation, a moda dos aplicativos de namoro traz um perigo maior do que a temida decepção com o parceiro. Recentemente, a entidade lançou uma campanha relacionando a ferramenta ao contágio por Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). O Tinder solicitou a retirada dos outdoors das ruas de Los Angeles, que representam casais se beijando, com os nomes “Tinder e clamídia” e “Grindr e gonorreia”. Especialistas em saúde sexual do Reino Unido também estão acusando os aplicativos pelo aumento de 15% nos casos de gonorreia e 9% de sífilis.

No Brasil, país que abriga 10% de todos os usuários do Tinder, as DSTs também têm crescido. Nos últimos 15 anos, o Ministério da Saúde registrou um aumento de 75% nos casos de Aids: de 275 mil para 757 mil. Os casos de sífilis entre grávidas subiram 1.000% em três anos. Embora o surto seja contemporâneo ao desenvolvimento dos smartphones e das plataformas digitais, não se pode culpar a tecnologia pelo contágio de DSTs. É o que acredita o infectologista Alexandre Cunha, porta-voz da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Contato sexual.
“É difícil falar de causa. Existe uma relação de concomitância. Os aplicativos facilitaram o contato sexual, e ao mesmo tempo vemos o aumento das DSTs. O que se pode perceber é a diminuição do uso de preservativos. Na década de 1990, todos tinham muito medo do HIV. Desde que se tornou possível conviver com a Aids, o medo diminuiu e as pessoas ficaram mais relapsas, o que trouxe aumento no contágio de outras doenças”, explica.

Já Eduardo Emery, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, especialista em diagnóstico de Aids e DSTs, é categórico. Para ele, o avanço dos apps de relacionamento, de fato, contribui para o aumento dos contágios por essas doenças no Brasil. “Assim como em outros países, no Brasil o emprego destes aplicativos para namoro vem facilitando significativamente o maior contato físico entre indivíduos, e como consequência, o significativo aumento de todas as DSTs (Aids, sífilis, hepatite C, HPV, clamídias, herpes, etc)”, afirma.
Para Fonseca, usuário assíduo dos apps, o crescimento dessas doenças nada tem a ver com tecnologia. “A prevenção é da cabeça de cada um. O site não tem culpa pelas doenças, tanto quanto não tem culpa pelos adultérios”, defende. Vanessa Souto (que pediu para ter o nome trocado), 43, usou o Tinder por seis meses e se envolveu com dois parceiros, sendo um deles seu atual namorado. “Devia ser o contrário. Se você vai transar com quem não conhece é ainda mais importante usar a camisinha. Eu não abro mão de jeito nenhum”, ressaltou. A entrevistada, entretanto, já precisou dizer “não”. “Uma vez o cara não queria usar. Soube de várias amigas que passaram por isso. Comigo não rola. Infelizmente, ainda existe aversão à camisinha, e isso está por trás do surto de DSTs”, afirma. (AD)

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