Sábado, 27 de junho de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Rio Grande do Sul Estelionato com eutanásia de animais: Polícia Civil indicia ex-secretária municipal de Canoas e outros três investigados

Compartilhe esta notícia:

Esquema é alvo de apuração desde setembro do ano passado. (Foto: Miguel Noronha/Arquivo Polícia Civil)

A 3ª Delegacia de Polícia de Canoas (Região Metropolitana de Porto Alegre) indiciou quatro investigados por maus-tratos a animais, estelionato, associação criminosa e violação de sigilo profissional. Conforme inquérito agora remetido à Justiça, o grupo é formado por uma ex-secretária municipal, o marido dela, uma veterinária e uma policial civil, envolvidos em esquema de eutanásia de cães e gatos para desviar valores obtidos em campanhas de arrecadação para tratamentos jamais realizados.

No dia 15 de junho, o grupo foi alvo da segunda fase da operação “Carrasco”, com o cumprimento de três ordens de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão. Além de telefones celulares, computadores e outras provas destinadas à continuidade da apuração, os agentes recolheram um cão sem as patas dianteiras e debilitado, utilizado para pedidos de ajuda financeira em postagens nas redes sociais.

“De acordo com o apurado, os animais resgatados eram encaminhados para eutanásia em situações em que ainda havia alternativas de tratamento”, ressaltou na ocasião a Polícia Civil gaúcha.

As investigações que culminaram na primeira etapa da ofensiva, deflagrada em 4 de setembro de 2025, tiveram como foco a ex-titular da Secretaria Especial de Bem-Estar Animal de Canoas. Naquela ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, incluindo a sede do órgão, a residência da investigada, um sítio onde está registrado o “Instituto Nacional de Proteção Animal” e a casa da veterinária.

De acordo com o apurado, a “protetora” atuava desde 2020, com 549 vaquinhas realizadas, sendo que o Instituto já recebeu de um total de quase 15 mil pessoas o montante de R$ 672,6 mil em contribuições. A Polícia Civil gaúcha continua a investigação, a fim de levantar aspectos como o número de animais vitimados pelo que os agentes têm chamado de “eutanásia financeira”.

A delegada Luciane Bertoletti também falou de pormenores do esquema: “Estamos agora buscando registros de microchip de todos os animais que sumiram para, quem sabe, tentar identificar quantos foram sacrificados”.

Ela acrescentou: “Após análise de todo o material apreendido, a constatação inicial foi alarmante”, acrescentou então a Polícia Civil. “O número de eutanásias no local realmente estava muito acima do esperado para o perfil dos animais recolhidos e também em relação aos anos anteriores. Usuários do serviço e agentes da Secretaria foram os primeiros a alertar a Polícia sobre os fatos.”

Avanço

A Polícia Civil gaúcha intensificou nos últimos meses o cerco à estrutura que operava “fora dos muros” da Secretaria. O aprofundamento da análise do conteúdo apreendido até então confirma, segundo a corporação, a relação direta da principal investigada com esses profissionais.

Em um dos casos apurados, a veterinária comunicou a possibilidade de que um cão estava com sinomose e perguntou se seria feito o teste antes de qualquer decisão. A resposta atribuída à ex-secretária foi de autorização para prosseguir com a eutanásia, sem confirmação diagnóstica prévia da doença. Os investigadores apontam que isso contrasta com a prática clínica recomendada, já que a cinomose depende de exame específico para confirmação.

Também se constatou que, na mesma data, a investigada teria divulgado pedido de apoio financeiro nas redes sociais para custear o suposto tratamento do mesmo animal, enquanto autorizava nos bastidores a eliminação do “pet”. Para os policiais, esse contraste reforça a suspeita de que havia arrecadação de recursos associada a uma narrativa pública de cuidado que não correspondia ao destino efetivo do animal.

“A investigada, que nas redes sociais ostentava fotos de animais com deficiência que ‘adotava’ e ‘salvava’, valia-se dessa fachada para legitimar suas captações”, reforça a Polícia Civil. “A exoneração do cargo de Secretária não desmobilizou o esquema, que continuou a operar sob a guarda de sua ‘associação’ no sítio.”

Diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana de Canoas, o Delegado Cristiano Reschke enfatiza a gravidade da exploração da confiança pública e a crueldade do esquema:

“Desvendamos um cenário de crueldade extrema e manipulação perversa da solidariedade pública. A investigada não apenas decidia pela morte deliberada de animais que poderiam ser salvos, como usava o sofrimento dessas criaturas como isca emocional para um esquema de estelionato. É estarrecedor constatar que, enquanto o público doava recursos acreditando financiar a cura e o bem-estar, nos bastidores, a ordem era a eliminação sumária para maximizar o lucro”.

(Marcello Campos)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Rio Grande do Sul

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Motorista de Porto Alegre é o primeiro brasileiro a receber aplicação de caneta emagrecedora fornecida pelo SUS
Toy Story 5: cinema especial para Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x