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Geral Estimativas indicam que até 4 milhões de russos deixaram o país por causa da guerra

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A guerra perpetrada pelo presidente Vladimir Putin está provocando um êxodo de russos. (Foto: Reprodução)

O calor de mais de 30 graus e o hummus do verão de Tel Aviv não lembram nada os modestos 20ºC e os cheburek de carne servidos nas ruas de Moscou em julho, o mês mais quente do ano na cidade. Apesar das praias e do mar azul, não foi essa a razão pela qual Anna, Ivan e Masha embarcaram em um avião e deixaram suas origens na Rússia, no início do ano passado, em direção a Israel. Membros da elite intelectual russa e bem-sucedidos, eles preferiam nunca ter que deixar seu país. Mas a guerra perpetrada pelo presidente russo Vladimir Putin os fez mudar de ideia.

Centenas de milhares de russos emigraram desde que Vladimir Putin decidiu invadir a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022. As estimativas variam de 600 mil – que segundo a BBC seria o dado reconhecido pelo Kremlin – a até quatro milhões, dependendo da fonte que é consultada, como especialistas em demografia. Isso em um país que mesmo antes da guerra, já vinha passando por um processo de perda de população.

O país alcançou seu auge populacional em 1992, quando chegou a 148 milhões de pessoas. Mas começou a cair e chegou em 2022 a 143 milhões. Isso se explica pela queda na taxa de fertilidade russa. Em 2021, o número chegou a 1,5, abaixo do suficiente para repor a população. O encolhimento populacional também se explica pela emigração e um aumento na taxa de mortalidade russa mesmo antes da guerra e da pandemia, por questões como o alcoolismo.

Além da falta de transparência do governo russo na divulgação de números, também dificulta a contabilização o fato de que muitos deles são expatriados temporários: foram para países vizinhos, como Cazaquistão e Armênia com a expectativa de um dia voltar, quando a situação melhorar.

Para Israel, imigraram russos que conseguiam provar alguma conexão judaica. O governo israelense abriu uma exceção ao processo de aliá tradicional (como é chamado o processo por que passam judeus do resto do mundo que decidem virar israelenses) e flexibilizou as regras para russos e ucranianos. Um escritório improvisado foi montado no próprio aeroporto Ben Gurion para processar os pedidos de cidadania dos novos imigrantes. A documentação exigida para provar as origens foi alterada para recebê-los.

“Eu disse à amiga da minha mãe que ia me receber que eu não tinha nenhum documento além da minha certidão de nascimento. Eles pediram para eu preencher os papeis, e, em dois dias, me deram uma carteira de identidade temporária. Eu não tinha poupança. Meus pais me deram US$ 2 mil (R$ 9.450 na cotação atual), era tudo que eu tinha quando deixei Moscou”, diz a jornalista Anna Mikhailoba, que deixou seu país em 10 de março de 2022.

Anna havia acabado de comprar um apartamento em Moscou quando a guerra começou. Ela havia começado a trabalhar no emprego dos sonhos em um museu há apenas cinco meses. Seu filho de treze anos estava bem adaptado à escola. Sua mãe e sua vó ainda estão na Rússia, mas devem mudar para Israel em breve. Ela diz que a sociedade russa está ficando cada vez mais paranoica e que seu pai fecha as cortinas quando quer assistir vídeos no YouTube para evitar os olhares de vizinhos pró-Putin – assim como tinham que fazer à época da União Soviética.

A urgência trazida pelo medo de que fechassem as fronteiras foi o que motivou muitos russos a deixarem o país logo nas primeiras semanas após a invasão. Esse foi o caso também da professora de inglês Masha, de 45 anos, que conversou com o jornal O Globo logo após terminar uma aula de hebraico – um dos principais desafios dos imigrantes russos que chegam a Israel. Ela e o marido acreditavam que as fronteiras seriam fechadas e não haveria mais voos para sair do país – o que acabou não acontecendo.

Masha afirma que o aspecto emocional foi o que a influenciou. Ela conta que, desde a ocupação da Crimeia, em 2014, já se sentia mal, mas, com a invasão do ano passado, a situação piorou.

“Eu não queria pertencer àquela coisa perversa. Se ficasse lá é como se eu fosse parte, porque na Rússia não se pode protestar. Quer dizer, pode, mas é muito perigoso. Se ficar lá, você tem que fingir que está tudo bem. Se não quiser fingir, você tem que arriscar sua liberdade ou ir embora. É uma maneira de dizer não a tudo isso.”

Um dos receios de Masha e do marido era de que ele fosse recrutado para lutar na guerra. Além da oposição moral a Putin e ao conflito, o medo de ser mandado para o front é uma das principais razões que levou os russos a deixarem o país – sobretudo depois do recrutamento em massa adotado em setembro de 2022. As informações são do jornal O Globo.

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