Sábado, 10 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de junho de 2017
“Estou aos prantos”. Foi dessa forma que Vanuzia Leite Lopes, criadora da associação de vítimas do ex-médico Roger Abdelmassih, descreveu a emoção ao saber que ele poderá cumprir em casa o restante da pena de 181 anos de prisão por estuprar pacientes. A decisão foi da Justiça de Taubaté nessa quarta-feira (21). Em uma das declarações, ela disse estar “decepcionada com o fato do Monstro Roger Abdelmasssih ir para casa – Triste em saber que dinheiro vale mais que a honra. As vitimas estao todas escrevendo com medo. Desculpem sem condições de escrever ou falar, volto amanha (sic)”.
Em outra postagem, ela afirmou que “isso não ficará assim, não. Suas vítimas estão doentes, mas vivas, e vamos lutar para que ele volte para a cadeia. Somos todas vítimas unidas.” O médico de 74 anos tenta, desde outubro de 2016, o indulto humanitário, apontando que sofre de graves doenças, entre elas enfermidades do coração – a defesa pedia que, caso não fosse dado o indulto, a Justiça concedesse a prisão domiciliar. Ele está internado desde 18 de maio em um hospital de Taubaté com broncopneumonia, que é a inflamação dos pulmões.
“Tanto presidiário com câncer, tuberculose, Aids, diabetes em grau altíssimo. Então, vamos soltar todo mundo, né? Que todos possam sair também. Não só ele. Não só quem tem advogado bom”, disse outra vítima Helena Leardini.
O indulto, ou perdão da pena, pode ser concedido a presos que tem doença considerada grave e permanente, que apresente grave limitação à atividade e exija cuidados contínuos que não possam ser prestados dentro do presídio.
Na decisão, a Justiça negou o indulto, mas concedeu a prisão domiciliar, justificando que o quadro de saúde dele se agravou nos últimos meses.
Assim, Abdelmassih poderá cumprir a pena em casa, sendo liberado para tratamento médico em unidades hospitalares que escolher, com a prévia autorização judicial. Ele deverá usar tornozeleira eletrônica e não poderá deixar a cidade em que indicar à Justiça sem autorização.
A defesa do médico foi procurada, mas nenhum representante retornou o contato para informar se pedirá a transferência do médico para outra unidade de saúde ou se ele seguirá com o tratamento em casa.
Ele deverá passar por perícia médica a cada três meses, ou em menos tempo se a Justiça determinar, para avaliar o quadro de saúde. Caso tenha condições, ele deverá retornar à prisão.
Histórico
Roger, que era considerado um dos principais especialistas em reprodução humana no Brasil, foi condenado a 278 anos de reclusão em novembro de 2010. Foram considerados 48 ataques a 37 vítimas entre 1995 e 2008. Abdelmassih não foi preso logo após ter sido condenado porque um habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça (STJ) dava a ele o direito de responder solto.
O habeas corpus foi revogado pela Justiça em janeiro de 2011, quando ex-médico tentou renovar seu passaporte, o que sugeria a possibilidade de que ele tentaria sair do Brasil. Como a prisão foi decretada e ele deixou de se apresentar, passou a ser procurado pela polícia.
Em 24 de maio de 2011, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) cassou o registro profissional de médico de Abdelmassih.
Após três anos foragido, quando chegou a ser considerado o criminoso mais procurado de São Paulo, Abdelmassih foi preso no Paraguai pela Polícia Federal (PF), em 19 de agosto de 2014.
Em outubro daquele ano, a pena dele foi reduzida para 181 anos, 11 meses e 12 dias, por decisão judicial. Entretanto, pela lei brasileira, nenhuma pessoa pode ficar presa por mais de 30 anos. (AG)
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