Quarta-feira, 24 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 23 de junho de 2026
Pelo menos 35 navios com carga atravessaram o Estreito de Ormuz na segunda-feira (22), um recorde desde o início da guerra no Oriente Médio no fim de fevereiro, segundo dados da plataforma Kpler divulgados uma semana após o anúncio de um memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos.
O volume de tráfego representa quase um terço do que era registrado em períodos de paz, quando cerca de 120 navios transitavam diariamente por esta passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos e outros produtos.
Durante a guerra, de 1º de março a 14 de junho, menos de 10 navios de carga atravessavam o estreito em média por dia.
Desde 15 de junho, um dia depois do anúncio do acordo, a média subiu para 21 e chegou a 27 nos últimos cinco dias.
O Estreito de Ormuz foi reaberto na semana passada, após um acordo entre Irã e Estados Unidos para acabar com o Oriente Médio, mas Teerã anunciou no sábado o fechamento do estreito em resposta aos ataques de Israel no Líbano.
Posteriormente, Estados Unidos e Irã chegaram a um entendimento sobre mecanismos para interromper os confrontos no Líbano e garantir a segurança do Estreito de Ormuz. “A administração do Estreito de Ormuz nunca mais será a mesma de antes da guerra”, afirmou nessa terça-feira o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, citado pela agência oficial Irna.
Condições na região
O Irã afirmou nessa terça-feira (23) que apenas um certo número de embarcações por dia está autorizado a passar pelo Estreito de Ormuz, e que essa quantidade deve variar diariamente de acordo com as condições na região.
A informação, veiculada pela agência estatal iraniana Tasnim com uma autoridade militar, adiciona uma nova camada à reabertura de Ormuz, determinada pelo acordo de paz assinado entre EUA e Irã na semana passada —o documento, no entanto, não citava tal limitação. O Irã não mencionou uma quantidade estimada de navios permitidos a passar pelo local.
EUA e Irã também travam uma disputa sobre quem controlará o estreito no pós-guerra e outras questões, como a possível cobrança de taxas feita por Teerã. Na segunda, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que Ormuz estava “totalmente aberto”, já o Irã tem ameaçado fechar novamente o estreito por conta de ataques de Israel no Líbano.
O Irã e o Omã afirmaram nesta terça que vão estudar uma futura administração conjunta de Ormuz, com a cobrança de custos pelos serviços prestados. Com a declaração conjunta, os dois países insistiram na soberania sobre a via marítima no Oriente Médio.
Os dois países enfatizaram “sua soberania e direitos soberanos sobre suas águas territoriais no Estreito de Ormuz” e “concordaram em manter o diálogo sobre o tema por meio de um grupo de trabalho conjunto entre os dois ministérios das Relações Exteriores, a fim de chegar a um acordo sobre a futura administração da navegação no Estreito de Ormuz, os serviços que serão fornecidos nesse contexto e os custos associados a eles, de acordo com padrões internacionais”.
A declaração ocorreu após uma reunião de alto nível entre seus principais diplomatas em Mascate, onde o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o principal negociador Mohammad Bagher Ghalibaf também se encontraram com o sultão de Omã, Haitham bin Tariq.
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