Segunda-feira, 02 de março de 2026
Por Redação O Sul | 1 de março de 2026
Um estudo inédito conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco (UCSF), nos Estados Unidos, em parceria com a Universidade de Adelaide, na Austrália, sugere que beber uma xícara de café diariamente pode reduzir em 39% o risco de recorrência de arritmia cardíaca – condição caracterizada por batimentos irregulares, acelerados e potencialmente perigosos para a saúde cardiovascular. A descoberta traz novos elementos ao debate médico sobre o consumo de cafeína e seus efeitos no coração, especialmente em pacientes com histórico de problemas cardíacos.
O eletrofisiologista da UCSF, Gregory Marcus, afirma que “a cafeína é também um diurético, que pode reduzir a pressão arterial e, portanto, diminuir o risco de arritmia. Muitos outros ingredientes presentes no café também têm propriedades anti-inflamatórias que podem apresentar resultados positivos”, diz, em nota publicada pelo site Science Daily. Segundo os pesquisadores, essas propriedades combinadas podem explicar por que o café, tradicionalmente visto como um fator de risco, pode exercer um efeito protetor em determinados contextos clínicos.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores das duas universidades conduziram testes clínicos controlados com cerca de 200 pacientes que apresentavam quadros constantes de arritmia cardíaca, histórico de fibrilação atrial ou condições médicas correlatas que aumentavam o risco de recorrência do problema. O estudo foi estruturado de forma a garantir critérios científicos rigorosos, com acompanhamento contínuo e monitoramento da evolução clínica dos participantes ao longo de meses.
Choque elétrico
Os pacientes foram submetidos a uma cardioversão elétrica, procedimento médico que consiste na aplicação de um único choque elétrico controlado com o objetivo de restaurar o ritmo normal das batidas cardíacas. Essa técnica é amplamente utilizada em casos de fibrilação atrial persistente, quando o coração perde seu padrão rítmico regular.
Após o procedimento, parte dos pacientes foi escolhida aleatoriamente para beber uma xícara de café com cafeína uma vez ao dia durante seis meses. Para a outra parte, foi solicitado que deixasse de consumir qualquer substância com cafeína pelo mesmo período de tempo, incluindo café, chás estimulantes, refrigerantes e bebidas energéticas.
Ao final do estudo, o grupo que bebeu café apresentou risco 39% menor de ter o retorno da arritmia, em comparação com o grupo que evitou completamente a cafeína. Um dos autores do estudo, Christopher Wong, da UCSF, explica que a pesquisa quebra um paradigma antigo na medicina sobre o consumo de café por pessoas com problemas cardíacos.
“Médicos sempre recomendaram aos pacientes com arritmia cardíaca minimizar o consumo de café, mas esse teste sugere que o seu consumo é seguro e pode até mesmo proteger o indivíduo,” opinou.
Segundo dados do estudo, a fibrilação atrial ocorre mais comumente em pessoas com mais de 60 anos e também em indivíduos que estão muito acima do peso ideal. Nos Estados Unidos, o problema atinge cerca de 10 milhões de adultos, sendo uma das principais causas de internações relacionadas a distúrbios do ritmo cardíaco.
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