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Política O esvaziamento do grupo da Operação Lava-Jato na Procuradoria-Geral da República pode prejudicar investigações, diz a associação de procuradores

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Presidente da ANPR: esvaziamento de procuradores pode prejudicar as investigações. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Fábio George Cruz da Nóbrega, afirmou que o esvaziamento do grupo da Lava-Jato na Procuradoria-Geral da República (PGR) pode prejudicar o andamento das investigações.

“Nós vemos com muita preocupação a constante saída de membros do grupo da Lava-Jato na Procuradoria-Geral da República porque isso pode de fato atrapalhar as investigações e ações em curso”, afirmou o presidente da ANPR.

Nóbrega também disse ser preciso defender “com veemência” a independência funcional de cada membro do Ministério Público brasileiro.

Em junho, quatro dos sete procuradores do grupo na PGR pediram para deixar a função. Restaram dois procuradores e a coordenadora do grupo, a subprocuradora-geral da República, Lindora Araújo.

As saídas foram motivadas por são discordâncias quanto a ações da coordenadora, que é uma das auxiliares mais próximas do procurador-geral da república, Augusto Aras.

Carlos Fernando Lima, ex-procurador da Lava-Jato no Paraná, alertou para a perda de independência das investigações.

“O que acontece no Ministério Público Federal é a destruição de todo um trabalho que vem desde a constituição de 88. O PGR atenta contra a independência das investigações e intimida as equipes de investigação”, disse Lima.

Procuradores da força-tarefa da Lava jato no Paraná acionaram a Corregedoria do Ministério Público Federal e pediram a adoção de providências após Lindora Araújo ter solicitado informações, inclusive sigilosas, como relatórios financeiros, dados de autoridades e documentos de buscas e apreensões.

Segundo integrantes da força-tarefa no estado, Lindora pediu também acesso ao sistema de gravação de chamadas telefônicas recebidas pelos procuradores, adotado em 2015, para prevenir ameaças.

Ainda de acordo com os procuradores, a coordenadora da Lava-Jato na PGR não formalizou os pedidos de acesso, nem disse se existe procedimento instaurado que justificasse o compartilhamento de dados.

A ação de Lindora Araújo foi considerada, pelos procuradores no Paraná, fora do padrão e pareceu indicar que havia uma investigação sobre a força tarefa.

Os fatos relatados pelos procuradores do Paraná já está sob análise da Corregedoria do MPF. Há expectativa de que Lindora apresente explicações à Corregedoria nos próximos dias.

Nos bastidores, o que se comenta é que os procuradores que saíram já vinham se queixando que o grupo na PGR estava perdendo espaço. A PGR não quis se manifestar sobre a saída dos procuradores.

O ex-juiz da Lava-Jato e ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, disse, em nota, ter estranhado a ação da procuradora.

“Aparentemente, pretende-se investigar a Operação Lava-Jato em Curitiba. Não há nada para esconder nas investigações, embora essa intenção cause estranheza. Registro minha solidariedade aos procuradores competentes que preferiram deixar seus postos em Brasília”, disse Moro.

A PGR disse que a subprocuradora-geral fez a visita aos procuradores no Paraná na condição de coordenadora da Lava-Jato e que, desde o início das investigações, há um intercâmbio de informações entre a Procuradoria e as forças-tarefas nos estados.

Segundo a PGR, a visita foi previamente agendada, há cerca de um mês, e foi uma visita de trabalho que visava a obtenção de informações globais sobre o atual estágio das investigações.

A procuradoria afirmou que não se buscou compartilhamento informal de dados, que a solicitação de compartilhamento de dados foi feita por meio de ofício datado de 13 de maio, e confirmou que pedido semelhante foi enviado às forças-tarefas de São Paulo e do Rio.

A PGR ressaltou também que os assuntos da reunião de trabalho, como é o normal na Lava-Jato, são sigilosos.

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