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Mundo Evo Morales comandará da Argentina a campanha presidencial de seu partido na Bolívia

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A intenção de Morales é estar mais perto da Bolívia e tentar finalizar os detalhes da candidatura de seu sucessor. (Foto: Reprodução/Twitter)

A viagem a Cuba de Evo Morales, que deixou o asilo no México, onde estava há quase um mês, é apenas uma parada até seu destino final: a Argentina, de onde comandará a campanha de seu partido MAS (Movimento ao Socialismo). A informação foi confirmada pela própria legenda, que informou ainda que Morales estará presente na posse do presidente eleito na Argentina, Alberto Fernández , nesta terça-feira (10).

A intenção de Morales é estar mais perto da Bolívia e tentar finalizar os detalhes da candidatura de seu sucessor. Dentre os nomes que estão sobre a mesa, estão o jovem líder cocaleiro e cientista político Andrónico Rodríguez, de apenas 30 anos; o ex-ministro de Finanças Luis Arce Catacora, que se exilou no México; e o ex-chanceler David Choquehuanca. Para vice-presidente, uma das opções é a senadora Adriana Salvatierra, que renunciou à liderança da Casa após a renúncia de Morales e de seu vice, Álvaro García Linera, abrindo espaço para posse da presidente de transição, Jeanine Añez , então vice-presidente do Senado e a próxima na linha de sucessão.

Com maioria absoluta no Congresso, o MAS aprovou uma Lei de Garantias, que, segundo o partido, é uma resposta à perseguição de vários políticos da legenda. Para o governo interino, no entanto, é uma tentativa de blindar Evo.

“Desde a saída de Evo, os congressistas estão cada vez mais vulneráveis. Estão decapitando nossa organização politica e vários dirigentes estão sendo perseguidos para que não nos organizemos para as eleições”, diz a senadora Rossio Lima.

“Além disso, vários líderes sindicais que fazem parte da estrutura política do MAS estão sendo acusados de sedição, de serem terroristas, por supostamente levarem bombas. Alguns foram presos.”

A oposição, por sua vez, afirma que a lei é uma tentativa de proteger Evo Morales, e garantir impunidade aos que causaram os atos violentos que levaram à renúncia do ex-presidente. Logo após a aprovação, o ministro da Presidência, Yerko Nuñez, adiantou que o Executivo não promulgará a lei, que, segundo ele, poderia impulsionar novas mobilizações.

“O MAS não precisa ter medo, o que não fez nada, nada teme. Se eles não fizeram absolutamente nada, como dizem, não precisam de uma lei para salvar, certamente, algumas autoridades que manipularam mal a coisa pública”, afirmou.

Sem um sucessor claro, vários nomes começaram a despontar como possível candidato da legenda para as eleições, que devem acontecer nos próximos quatro meses. Dentre eles, o de Andrónico Rodríguez, visto em Cochabamba como o herdeiro de Evo Morales. A saída do ex-ministro Luis Arce Catacora do país nos últimos dias também aumentou rumores sobre uma possível candidatura.

Para analistas, o futuro do MAS irá depender dos próximos passos, não só de quem será escolhido como candidato, mas também do tom do discurso.

“A grande prova que terá que passar o partido é se conseguirá escolher um nome que não seja visto como um sucessor. Aqui não há peronismo”, afirma o cientista político Roger Cortez. “Andrónico não me parece por isso um nome forte, já que nesse momento a  experiência com outro cocaleiro me parece um dificultador. A pergunta é: conseguirão se manter fiéis a Evo ou irão fissurar e se dividir entre correntes internas?”

Pedro Portugal, historiador especialista em temas indígenas, explica que ao não deixar um sucessor, Evo Morales age como um caudilho.

“A importância do MAS não foi ter modificado as condutas políticas bolivianas. O partido se aproveitou, inclusive, das características menos agradáveis dessa política. E isso jogou contra Evo ultimamente. Mas pode jogar a seu favor se manipular melhor as diferenças nos próximos tempos.”

O nome de Andrónico, para ele, apesar de ser uma boa escolha, pode significar mais divisão, já que representa apenas o setor cocaleiro.

“Ele é licenciado em ciências politicas e parece ter uma visão muito mais ampla (do que Morales), mas pode provocar bastante antagonismo. Não sei se poderia substituir a liderança de Evo Morales. Vejo o MAS lentamente sendo desmembrado e perdendo força.”

Em El Alto, reduto do MAS, há uma base forte, um voto duro, mas que pode baixar de 50 a 30%, acredita Henry Contreras, secretário municipal de Atenção Cidadã da prefeitura de El Alto.

“Isso dependerá de como atue a partir de agora o partido e a oposição”, afirma.

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