Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de janeiro de 2018
O presidente da Bolívia, Evo Morales, celebrou na segunda-feira (22) doze anos no governo, confirmando diante do Congresso sua decisão de permanecer no poder até 2025. “Em doze anos transformamos estruturalmente o país, somos um país com maior justiça social (e agora) olhamos para o futuro com maior otimismo”, disse Morales.
Seu vice-presidente, Álvaro García, foi mais específico: “como Estado, com o presidente Evo tomamos a decisão de tornar a Bolívia em uma Bolívia industrial antes de celebrarmos o bicentenário da pátria em 2025”, afirmou em discurso na mesma cerimônia.
Dezenas de pessoas protestaram
Enquanto isso, do lado de fora do Congresso, em La Paz, dezenas de pessoas protestaram contra a decisão de Morales de voltar a se candidatar nas eleições de 2019. Em outras cinco regiões do interior milhares de pessoas também se manifestaram com o slogan “não à re re re-eleição”.
A oposição e as organizações civis se opõem ao desejo do mandatário de ser reeleito até 2025, depois que no final do ano passado foi favorecido por uma decisão do Tribunal Constitucional que deu aval à sua nova candidatura, apesar do resultado em um referendo popular que em 2016 o negou nas urnas essa possibilidade.
Novo código penal é anulado
“O presidente boliviano Evo Morales decidiu cancelar a aplicação do novo código penal do país, que vinha sendo alvo de críticas de igrejas cristãs. Os religiosos diziam que as novas regras criminalizavam a evangelização, o que o governo nega. O artigo 88 do texto incluía no pacote de crimes que tratam do tráfico de pessoas o “recrutamento para a participação em conflitos armados ou organizações religiosas ou cultos”. Para Evo, as críticas são parte de uma campanha para atrapalhar seu governo.
“Decidimos cancelar o Código do Sistema Penal para evitar confusões e para que a direita deixe de conspirar e não tenha argumento para gerar desestabilização no país”, afirmou o presidente boliviano. Diversas entidades religiosas e da sociedade civil planejaram uma série de protestos contra o governo devido ao novo código. Também estava marcada uma manifestação de apoio ao presidente.
Carta para a Assembleia Legislativa
Com isso, o presidente prometeu no domingo (21) enviar “uma carta para a Assembleia Legislativa nos próximos dias” pedindo a anulação do código. Ele também indicou que vai pedir aos parlamentares que refaçam a lei sem seus pontos mais polêmicos. Segundo Evo, as críticas da oposição contra as novas regras estavam erradas. “A mentira ganhou como tema de campanha”, afirmou ele em uma entrevista
para o canal de TV estatal.
A decisão de cancelar o novo código acontece em um momento que Evo completa 12 anos no comando do país e luta para disputar nova reeleição.
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