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Ex-comandante da Aeronáutica relembra em livro “cartões amarelos” de Bolsonaro na trama golpista

Baptista Junior deixou o comando da Aeronáutica em janeiro de 2023. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Junior relata, em um novo livro, episódios de pressão exercida pelo então presidente Jair Bolsonaro após a derrota nas eleições de 2022 e durante as articulações que buscavam impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

Baptista Junior comandava a Aeronáutica no período posterior ao segundo turno das eleições, quando integrantes do governo Bolsonaro discutiam alternativas diante da vitória de Lula. O militar afirma que manteve uma posição de respeito à Constituição e à decisão das urnas.

Entre os episódios relatados está uma reunião no Palácio da Alvorada na qual Bolsonaro teria dito ao então comandante da Aeronáutica: “Já te dei dois cartões amarelos”. A declaração foi interpretada por Baptista Junior como uma forma de pressão diante de suas manifestações públicas em defesa do cumprimento da legislação e da posse do presidente eleito.

Em entrevistas concedidas após as eleições de 2022, Baptista Junior já havia afirmado que as Forças Armadas cumpririam a Constituição e reconheceriam o resultado das urnas. Segundo relatos publicados sobre o livro, essas posições contrariavam expectativas de integrantes do entorno de Bolsonaro.

O ex-comandante também descreve as discussões envolvendo os comandantes das Forças Armadas e integrantes do governo no período que antecedeu os atos de 8 de janeiro de 2023.

A atuação dos militares é considerada um dos pontos centrais dos relatos sobre as articulações golpistas após a eleição. O posicionamento dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica foi importante para impedir que propostas de ruptura institucional avançassem.

Baptista Junior deixou o comando da Aeronáutica em janeiro de 2023. Em depoimentos posteriores, afirmou que não concordava com qualquer iniciativa que pudesse interromper o processo de transição de governo.

O episódio dos chamados “cartões amarelos” ganhou destaque com a divulgação de trechos do livro nesta semana. Segundo o ex-comandante, a expressão utilizada por Bolsonaro fazia referência a advertências anteriores e representava uma tentativa de pressioná-lo a modificar sua postura.

O relato se soma a outros depoimentos de integrantes das Forças Armadas que participaram das reuniões realizadas após a eleição de 2022.

As informações sobre o livro foram divulgadas nesta quarta-feira (12), em meio à repercussão dos desdobramentos judiciais relacionados à tentativa de golpe de Estado.

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