Sábado, 03 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de dezembro de 2025
Condenado por envolvimento na tentativa de golpe de Estado, Vasques rompeu tornozeleira eletrônica.
Foto: Polícia do Paraguai/DivulgaçãoO ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi preso nessa sexta-feira (26) no Aeroporto Internacional de Assunção, no Paraguai, em uma tentativa de fuga, após romper a tornozeleira eletrônica. Ele pretendia embarcar para El Salvador, na América Central. Silvinei foi detido com um passaporte original que não condizia com as suas informações. A detenção foi realizada pela polícia paraguaia em parceria com a Polícia Federal.
Vasques teria feito o trajeto até Assunção de carro, de acordo com as investigações. Até 16 de dezembro, ele era secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de São José (SC), a 1.300 quilômetros de Assunção.
Há dez dias, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos e seis meses de prisão pela participação na trama golpista. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, ele integrava o chamado “núcleo dois” do plano golpista, acusado de usar a máquina pública para interferir nas eleições de 2022 e manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.
Também condenado na trama golpista, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem conseguiu fugir e atualmente está nos Estados Unidos.
Vasques já havia sido preso antes, em agosto de 2023. A operação em questão tratava da atuação dele em ordenar bloqueios da PRF em rodovias no segundo turno das eleições de 2022. Conforme as investigações, a medida visava dificultar o trânsito de eleitores na Região Nordeste, onde o presidente Lula obteve votação expressiva. Na ocasião, Vasques teve o passaporte apreendido pela Polícia Federal.
Um ano depois, em agosto de 2024, ele foi solto por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, o cancelamento de seus passaportes e o veto a se manifestar em redes sociais.
Vasques comandou a PRF entre abril de 2021 e dezembro de 2022 durante a gestão de Bolsonaro, de quem era considerado apoiador declarado. Como chefe da instituição, ele chegou a pedir votos ao ex-presidente em suas redes sociais e depois apagou a postagem.
Declaradamente apoiador do presidente Jair Bolsonaro, Silvinei Vasques foi alçado ao comando da PRF em abril de 2021, cerca de um mês depois da chegada de Anderson Torres ao Ministério da Justiça, pasta à qual a Polícia Rodoviária Federal é vinculada. Reservadamente, integrantes da PRF afirmam que Vasques tem proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos principais entusiastas de sua nomeação no posto. Inspetor dos quadros da corporação desde 1995, ele era superintendente no Rio de Janeiro antes de ocupar o cargo máximo da PRF.
No início de 2025, ele foi nomeado para chefiar a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação da prefeitura de São José, na Região Metropolitana de Florianópolis – cargo que ele ocupou até 16 de dezembro. O policial de carreira foi exonerado do posto, “a pedido”, segundo o Diário Oficial do município, no mesmo dia em que foi condenado no processo da trama golpista.
Outras fugas
O episódio se soma a casos recentes envolvendo figuras do bolsonarismo. O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos mesmo proibido judicialmente de viajar ao exterior, após ser condenado por tentativa de golpe de Estado. Diante da saída do país, o ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão preventiva. Atualmente, Ramagem está em Orlando, na Flórida.
Antes dele, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) deixou o Brasil após ser condenada a dez anos de prisão por falsidade ideológica e invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em junho, acabou presa na Itália, após ser incluída na lista vermelha da Interpol, e aguarda extradição.
No entorno familiar do ex-presidente, a movimentação também entrou no radar das investigações. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está nos Estados Unidos desde fevereiro e, em reiteradas ocasiões, não chegou a ser intimado em apurações em curso no Brasil. A permanência no exterior e a dificuldade de notificação formal passaram a constar em registros processuais.
Atualmente, ele é réu no STF por coação, por ter tentado articular sanções à autoridades brasileiras durante sua estadia no exterior.
Os três parlamentares foram cassados pela Câmara dos Deputados em dezembro deste ano. (Com informações do jornal O Globo)