Quinta-feira, 06 de Agosto de 2020

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Mundo Ex-ditador sudanês é condenado a dois anos de prisão por corrupção

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Bashir também é investigado por crimes contra a humanidade e por seu papel no golpe de Estado que o levou ao poder, em 1989

Foto: Divulgação

O ex-ditador sudanês Omar al-Bashir, de 75 anos, foi condenado neste sábado (14) por um tribunal de Cartum a dois anos de detenção por corrupção, depois de ter sido deposto em abril por um inesperado movimento de protesto nas ruas.

Bashir, que governou o país durante 30 anos com mão de ferro, foi julgado por um tribunal especial e declarado culpado por “corrupção” e “posse ilegal de fundos estrangeiros”, concretamente da Arábia Saudita.

Em comunicado, o procurador-geral confirmou que Bashir também é investigado por “execuções e crimes contra a humanidade em Darfur, Kordofan do Sul e Nilo Azul”, estados sudaneses com fortes conflitos há décadas, e por seu papel no golpe de Estado que o levou ao poder em 1989. A punição para alguns desses crimes é a forca.

Esta é a primeira condenação judicial do ex-ditador sudanês Bashir escutou o veredicto vestido com a tradicional túnica branca e turbante, dentro de uma espécie de jaula de metal dentro do tribunal.

O juiz explicou que o ex-ditador cumprirá a condenação em um centro de detenção para pessoas de idade avançada porque, segundo a lei sudanesa, os cidadãos com mais de 70 anos não podem ir para a prisão.

Um dos advogados de Bashir, Hashimi el-Gaaly, afirmou que o “ex-presidente é um oficial do exército que não deseja redução de condenação e não quer clemência”. Outro advogado, no entanto, declarou que Bashir vai apelar, apesar de “não confiar no sistema judicial sudanês” e acreditar que é vítima de um “julgamento político”.

O magistrado também ordenou o confisco dos recursos encontrados na residência do ex-ditador após sua detenção em abril: 6,9 milhões de euros, 351.770 dólares e 5,7 milhões de libras sudanesas.

Durante as audiências, Bashir, detido há vários meses em uma prisão de Cartum, garantiu que o dinheiro não foi usado com fins pessoais e que fazia “doações”. De acordo com uma testemunha, o ex-ditador, que chegou ao poder graças a um golpe de Estado em 1989, deu cinco milhões de euros a um temido grupo paramilitar.

Fora do tribunal, dezenas de partidários de Bashir expressaram decepção com o veredicto. Após o anúncio da sentença, um grande dispositivo de segurança foi instalado no centro de Cartum para controlar possíveis manifestações nas próximas horas de simpatizantes do ex-chefe de Estado.

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