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Mundo Ex-ministra de Milei pede que Lula envie embaixador de volta a Buenos Aires

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Senadora Patricia Bullrich disse que Argentina não deve ser tratada como país de "segunda categoria". (Foto: Reprodução)

A senadora Patricia Bullrich, aliada do presidente Javier Milei e ex-ministra da Segurança, defendeu o líder argentino no contexto da crise diplomática com o Brasil. Ao mesmo tempo, fez um apelo ao presidente Lula para que o embaixador brasileiro volte a Buenos Aires.

A declaração foi feita após o Brasil rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina. Na terça-feira (4), o Itamaraty informou que manterá no país o embaixador Julio Bitelli, que atuava em Buenos Aires, enquanto Milei mantiver ataques ao governo brasileiro.

A aliada de Milei ainda disse que a Argentina não deve ser tratada como um país de “segunda categoria”: “A Argentina tem o direito, assim como o nosso presidente tem o direito, de apoiar quem quiser, tal como fez o presidente do Brasil.” No entanto, ela ponderou que é sempre preciso cuidar do tom e do vocabulário adotado.

“Eu tenho minhas razões para pensar que com o vocabulário sempre temos que tomar cuidado. E acredito que hoje estamos trabalhando forte em muitas frentes com o Brasil, e isso vai continuar”, afirmou.

Em seguida, Bullrich fez um apelo ao governo brasileiro para restabelecer as relações diplomáticas com a Argentina no mais alto nível.

“Eu peço ao presidente Lula e ao Brasil que volte o embaixador Bitelli à Argentina. Isso é o que nós queremos: que se separe a política das relações institucionais e estratégicas que Argentina e Brasil sempre mantiveram”, afirmou.

Bullrich militou na esquerda na juventude e chegou a se exilar no Brasil durante a ditadura argentina. Ao longo da carreira política, migrou para a direita e se tornou aliada de Milei após as eleições presidenciais de 2023.

Crise

A crise entre Brasil e Argentina começou após a presença de Javier Milei na convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, em 25 de julho. Durante o evento, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário”.

No domingo (2), em entrevista à emissora argentina LN+, Milei voltou a subir o tom. O presidente argentino afirmou que Lula é “ladrão”, “corrupto” e “não é inocente”. Também voltou a questionar as decisões do STF que anularam as condenações do petista na Operação Lava Jato.

Ao comentar a reação do governo brasileiro, Milei afirmou que não considera as declarações agressivas e disse que as ofensas foram “palavras espontâneas”.

Segundo o líder argentino, “agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”.

Reação do Brasil

Após os primeiros ataques, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para manifestar o descontentamento do governo brasileiro. Ao mesmo tempo, chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires.

Em nota, o governo classificou o episódio como “sem precedentes”. O chanceler Mauro Vieira disse considerar o caso grave, mas descartou, naquele momento, medidas mais duras, como a retirada definitiva de representantes diplomáticos.

Além disso, inicialmente, o presidente Lula evitou alimentar a polêmica. Ao ser questionado por jornalistas sobre Milei, respondeu: “Quem é esse cara?”.

Dias depois, no entanto, ele endureceu o discurso e classificou como uma “patacoada” a participação do argentino no evento do PL. Durante um ato do PSB, Lula afirmou que não aceitaria interferências externas na política brasileira. (As informações são do g1 e CNN Brasil)

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