Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de maio de 2021
O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello negou, em depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira (19), que tenha recebido ordens para recomendar a adoção de tratamento da covid-19 com cloroquina. Questionado pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), ele afirmou que nunca recebeu ordens diretas de Jair Bolsonaro “para nada”. Pazuello também disse que se encontrava pouco com o presidente da República. Ele disse que via Bolsonaro com menos frequência do que gostaria. “Eu o via uma vez por semana, a cada duas semanas. Se pudesse voltar atrás, teria ido mais vezes atrás do presidente para conversar”.
Ele negou que tenha assumido a pasta sob a condição de seguir ordens do presidente da República de recomendar o chamado “tratamento precoce” para a covid-19, que inclui medicamentos sem comprovação científica como a hidroxicloroquina. “Em hipótese alguma. O presidente nunca me deu ordens diretas para nada”, garantiu.
Pazuello acrescentou que foi nomeado por Bolsonaro para “fazer as coisas andarem o mais rápido possível” e que a missão era “trocar a roda do carro com o carro andando”.
O ex-ministro disse que o Ministério da Saúde emitiu uma nota informativa, seguindo o Conselho Federal de Medicina, para orientar médicos com relação ao uso da cloroquina. O ex-ministro ainda disse que não autorizou distribuição de medicamento sem prescrição.
O relator Renan Calheiros questionou ao ex-ministro da Saúde Ernesto Pazuello sobre a atuação do empresário Carlos Wizard no ministério e sua influência em uma possível indicação de “tratamento precoce” com cloroquina. Sobre encontros com “médicos independentes” citados por Wizard, Pazuello destacou que só se reuniu com eles uma vez e que não gostou da “dinâmica da conversa”.
Ao dar explicações sobre a aquisição de vacinas, o ex-ministro da Saúde afirmou que o presidente Jair Bolsonaro nunca ordenou que ele desfizesse qualquer acordo com o Instituto Butantan, produtor no Brasil da vacina chinesa CoronaVac.
Perguntado sobre as declarações de Bolsonaro contrárias ao imunizante, o general lembrou que o presidente da República é chefe de Estado e de governo, mas também age como agente político. E, mesmo quando se posicionava publicamente como tal, não fez interferência alguma nas negociações.
“Quando o presidente recebe uma posição de um agente político de São Paulo [governador João Doria], ele se posiciona como agente político também daqui para lá. Isso não interferiu em nada no que estávamos falando com o Butantan. Aliás, tínhamos reuniões com o Butantan semanalmente, idas e vindas, desde então, por novembro e dezembro, sem parar”, explicou.
O relator, Renan Calheiros (MDB-AL), insistiu na questão, dizendo que o presidente tinha dado ordem pública contra a compra do imunizante, o que provocou reação imediata do general:
“Uma postagem na internet não é uma ordem. Ordem é algo direto, verbal ou por escrito. Nunca foi dada. Nunca!”, respondeu Pazuello.
Alguns senadores apontaram uma contradição na versão do Pazuello e lembraram que o general afirmara publicamente, em outubro do ano passado, que o presidente Bolsonaro mandava e ele obedecia. “Na verdade, aquilo é só um jargão militar, um jargão simplório, colocado para discussões de internet”, justificou o ex-ministro.
Eduardo Pazuello passou mal no intervalo da reunião da CPI. Pazuello teve uma queda de pressão e foi atendido pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico. O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), decidiu retomar a reunião nesta quinta-feira (20), às 9h30min. Segundo Aziz, ainda há 23 senadores inscritos para fazer perguntas ao ex-ministro Pazuello. As informações são da Agência Senado.