Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de junho de 2016
O ex-ministro do Planejamento do governo Lula e das Comunicações no primeiro mandato de Dilma Rousseff Paulo Bernardo foi preso nesta quinta-feira (23) em um desmembramento da Operação Lava-Jato, em Brasília. A ação foi batizada de Custo Brasil e cumpriu 65 mandados judiciais em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Distrito Federal.
Do total de mandados, 11 são de prisão preventiva, 40 de busca e apreensão e 14 de condução coercitiva, quando a pessoa é levada a prestar depoimento. Um dos mandados de busca foi cumprido na casa da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), no bairro Água Verde, em Curitiba.
Um mandado de condução coercitiva foi para o jornalista Leonardo Attuch, que administra o site Brasil 247. Ele já havia aparecido nas investigações da Lava-Jato como suspeito de ter recebido dinheiro por serviços não executados.
Há ainda um mandado de prisão preventiva para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que, condenado na Lava-Jato, está preso desde 2015. Outro ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, também é alvo de mandado de prisão. Ele é marido da ex-ministra do Desenvolvimento Social no governo Dilma Tereza Campello.
Policiais federais também foram à sede do PT no Centro de São Paulo. Os presos e o material apreendido serão encaminhados à sede da PF (Polícia Federal) na capital paulista. A PF informou que a operação foi deflagrada para apurar o pagamento de propina referente a contratos de prestação de serviços de informática no valor de R$ 100 milhões entre os anos de 2010 e 2015, a pessoas ligadas a funcionários públicos e agentes públicos ligados ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Há indícios de que a pasta direcionou a contratação de uma empresa de prestação de serviços de tecnologia e informática para a gestão do crédito consignado na folha de pagamento de funcionários públicos federais com bancos privados, interessados na concessão de crédito consignado, de acordo com as investigações.
“Segundo apurou-se, 70% dos valores recebidos por essa empresa eram repassados a pessoas ligadas a funcionários públicos ou agentes públicos com influência no Ministério do Planejamento por meio de outros contratos – fictícios ou simulados”, diz a PF.
A PF indiciou Gleisi e o marido dela, Paulo Bernardo, ao concluir o inquérito sobre as suspeitas de que dinheiro desviado da Petrobras abasteceu em 2010 a campanha ao Senado da parlamentar. A defesa do ex-ministro disse que desconhece as razões da prisão, e que estranha porque Bernardo sempre se colocou à disposição das autoridades.
A PF afirma ter indícios suficientes contra Gleisi e o marido por suposto envolvimento no crime de corrupção. As conclusões da Polícia Federal foram anexadas ao inquérito 3979, que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal), na Operação Lava-Jato.
Porto Alegre
Na Capital gaúcha, um advogado foi preso durante a Operação Custo Brasil. Daisson Silva Portanova foi detido no bairro Petrópolis.
Os comentários estão desativados.