Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de outubro de 2026
Quando registrou sua candidatura à Presidência da República, já inelegível, o influenciador Pablo Marçal (PRTB) deu margem para suspeitas sobre seu real objetivo com a empreitada natimorta. Afirmou, em agosto, em entrevista à produtora Brasil Paralelo, que Flávio Bolsonaro (PL) havia sido a primeira pessoa para quem ligara após a decisão. “Não tem ninguém nessa campanha para servir de escudo. Então, antes de falarem besteira, pensem que o Capitão América chegou com o escudo”, disse.
Desde então e, principalmente, a partir da votação do primeiro turno, o empresário colocou a serviço do filho de Jair Bolsonaro (PL) o grande alcance e engajamento que detém nas redes sociais —no Instagram, Marçal conta com 14 milhões de seguidores.
O influenciador tem divulgado um grande volume de publicações de teor antipetista e favoráveis à candidatura do senador, com pedido expresso de voto e uso de inteligência artificial.
Um dos conteúdos produzidos com a ferramenta, publicado na sexta-feira (9), simula a prisão do presidente Lula (PT) por autoridades americanas, aludindo à captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e às preocupações sobre uma possível interferência mais direta dos Estados Unidos no processo eleitoral.
Também na sexta, na reestreia de seu programa eleitoral na TV, Flávio anunciou que, se eleito, criará o Ministério da Prosperidade, que deve reunir os principais programas sociais do governo.
Como mostrou a coluna Painel, a estrutura está sendo definida por Marçal, pela ex-presidente da Caixa Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, e pelo empresário Filipe Sabará, que liderou o plano de governo do influenciador quando ele concorreu à Prefeitura de São Paulo em 2024.
Em mensagens trocadas com a Folha nesta sexta, Marçal afirmou que a possibilidade de integrar eventual governo Flávio está “em aberto”. Um integrante da equipe do filho de Bolsonaro, contudo, disse que não há conversas sobre a participação do influenciador em uma possível gestão.
Segundo o Painel, o candidato do PL vem pensando sobre o novo ministério desde dezembro do ano passado, quando participou de um evento na casa de Marçal, levado por Sabará.
O influenciador ficou famoso por vender cursos que prometem mudar a mentalidade das pessoas e ensiná-las a prosperar.
Quando anunciou oficialmente que apoiaria a candidatura de Flávio, no fim de setembro deste ano, em uma agenda pública numa academia de jiu-jitsu em São Paulo, o empresário disse estar “se integrando” à equipe do candidato do PL e insinuou que poderia participar de um futuro governo.
O senador, por sua vez, afirmou que Marçal é um “grande empreendedor” e que iria “ajudar nessa parte de empreendedorismo e mobilidade social”.
Naquele dia, aliados do influenciador aventaram que ele teria sido sondado para assumir um futuro Ministério do Empreendedorismo. Interlocutores de Flávio, porém, negaram a afirmação.
Na sexta, o PT protocolou uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), pedindo a cassação da chapa de Flávio por suposto uso irregular dos perfis em redes sociais de Marçal para disseminação de propaganda eleitoral e informações falsas.
Os advogados do partido argumentam que o candidato do PL comete irregularidade por não ter informado ao tribunal que o perfil de Marçal se tornou uma conta oficial de campanha. De acordo com as regras eleitorais, usuários usados pelas campanhas estão sujeitos a restrições, como vedação a recomendações.
Procurada pela Folha, a equipe de Flávio afirmou que o influenciador não integra a estrutura da campanha. Nas redes, Marçal disse que “ninguém manda” em seu Instagram e que triplicaria o número de postagens.
Nesta sexta, o empresário escreveu à reportagem que não faz parte, oficialmente, da campanha. “Fui candidato e sou independente”, disse, por mensagem de texto. “Estou só apoiando.”
Ao menos até quarta-feira (7), constava na biografia do influenciador no Instagram os dizeres “Equipe Flávio Bolsonaro 22”. Após a ação do PT, a frase já não estava mais lá.
Além das postagens em massa, Marçal também tem estimulado que seguidores ingressem em um canal do WhatsApp nomeado “Tropa do Flávio”, que mobiliza e orienta apoiadores na reta final da campanha, fazendo frente à movimentação digital do campo petista, liderada pelo deputado federal André Janones (Rede). As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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