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Mundo A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner responderá a julgamento por formação de quadrilha

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Segundo indica o juiz em sua decisão, Cristina, em seu caráter de presidente, "teria prejudicado os interesses confiantes ao violar seu dever de administrar e cuidar fielmente dos bens do Estado nacional que estavam sob a órbita da sua responsabilidade".(Foto: Reprodução)

Um juiz da Argentina decidiu nesta sexta-feira (2) levar a julgamento oral uma causa contra a ex-presidente e atual senadora, Cristina Kirchner, por suposta formação de quadrilha em relação à concessão de obras públicas durante seu governo, informaram fontes judiciais.

A medida foi adotada pelo juiz Julián Ercolini, responsável pela investigação do caso no qual também estão envolvidos, entre outros, o ex-ministro de Planejamento, Julio de Vido, e o empresário do ramo de construção Lázaro Baez.

O processo averigua supostas irregularidades na adjudicação de obras públicas viárias ao Grupo Austral, propriedade de Báez, na província de Santa Cruz, terra natal do falecido ex-presidente Néstor Kirchner, e reduto político dos Kirchner.

No total, 13 pessoas enfrentarão um julgamento oral por esta causa, entre as quais se destacam, além de Cristina, Báez e De Vido, o ex-secretário de Obras Públicas, José López, e o ex-subsecretário de Coordenação de Obra Pública Federal, Carlos Santiago Kirchner, primo de Néstor.

Segundo indica o juiz em sua decisão, Cristina, em seu caráter de presidente, “teria prejudicado os interesses confiantes ao violar seu dever de administrar e cuidar fielmente dos bens do Estado nacional que estavam sob a órbita da sua responsabilidade”.

Quanto a De Vido, ministro de Planejamento durante os dois mandatos de Cristina, ressalta que “teria prejudicado os interesses confiantes ao adotar decisões econômicas e administrativas” relativas às obras públicas que foram centro desta investigação.

O juiz afirma que as manobras investigadas tiveram o “objetivo de proporcionar ao empresário Lázaro Antonio Báez um lucro indevido, em prejuízo dos cofres do Estado”.

De acordo com o documento judicial, parte da manobra teria sido a “conversão formal” de Báez, amigo de Néstor e Cristina Kirchner e com quem estabeleceram “várias operações comerciais”, em um “empresário da construção”, após ter trabalhado como tesoureiro do Banco de Santa Cruz.

Segundo o magistrado, as obras eram adjudicadas ao grupo empresarial de Báez por meio de licitações com “múltiplas irregularidades, todas destinadas ao favorecimento do empresário”.

Em abril do ano passado, a Justiça argentina enviou às forças de segurança e ao Departamento de Imigração o ofício que impede a ex-presidente Cristina Kirchner (2017-2015) e seus filhos Máximo e Florencia de deixar a Argentina, tal como ordenou o juiz Claudio Bonadio em meio ao processo Los Sauces, por “associação ilícita” e “negociações incompatíveis com a função pública”.

Cristina é acusada de lavagem de dinheiro, cometida supostamente por uma empresa de sua família. O magistrado considera a ex-chefe de Estado, de quem ordenou congelar 130 milhões de pesos (R$ 26,35 milhões), “penalmente responsável dos crimes e de atuar em formação de quadrilha em qualidade de chefe”.

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