Sexta-feira, 09 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de abril de 2018
O ex-secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame negou, por meio de nota, ter recebido propina de um esquema de corrupção enquanto estava à frente da pasta. A acusação foi feita por Carlos Miranda, considerado o operador financeiro do esquema que envolve o ex-governador Sérgio Cabral, em delação premiada homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), segundo reportagem publicada no domingo (29) pelo jornal “O Globo”.
Segundo a reportagem, Miranda disse que Beltrame recebeu, de 2007 a 2014, R$ 30 mil por mês do esquema de corrupção, que envolveria também o ex-governador Sérgio Cabral. Os recursos teriam sido entregues à mulher de Beltrame, a professora de Educação Física Rita Paes. Ainda de acordo com a delação, antes de chegar ao casal, o dinheiro era repassado ao empresário e ex-assessor de Cabral Paulo Fernando Magalhães Pinto, que também era dono do apartamento alugado por Beltrame.
Em nota, Beltrame disse que a denúncia é uma história “fabricada por alguém que está coagido e, sabe-se lá porque, usando meu nome para jogar fumaça sobre os próprios dramas”. Beltrame diz ainda que ele mal conhece o delator e que Carlos Miranda corre o risco de passar os próximos 20 anos na cadeia.
O ex-secretário de Segurança afirmou também que já foi caluniado outras vezes pelo fato de ter sido inquilino de um assessor de Cabral, Paulo Roberto, que, de acordo com Miranda, seria o intermediário de Beltrame para receber a propina. “Oportunistas de plantão […] usaram e abusaram dessa história do imóvel, tentando fazer de meu inquilinato uma prova contra minha honestidade. Fui caluniado algumas vezes. Com os recibos de aluguéis e minhas declarações de Imposto de Renda, venci todas as ações no Judiciário, com direito a indenizações reparatórias”.
Beltrame, que foi o mais longevo secretário de Segurança do Estado e responsável pela implantação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), encerra a nota dizendo que a acusação, “além de fantasiosa, não tem pernas. São as únicas metáforas que encontrei para substituir o já tão desgastado ‘absurdo’”.
Governador Pezão recebia mesada de R$ 150 mil, diz delator
Carlos Miranda também afirmou que Luiz Fernando Pezão (MDB) recebia mesada de R$ 150 mil, e que a propina ao então vice-governador do Rio incluía décimo terceiro salario e bônus, que totalizavam R$ 1 milhão. O principal operador do esquema de corrupção no Rio ainda afirmou que o atual governador recebia, além da mesada, propina extra de R$ 300 mil. O montante é referente aos serviços feitos por empreiteira na residência de Pezão, em Piraí, no Vale do Paraíba.
Miranda frisa em seu depoimento que Sérgio Cabral o encarregou de fazer os pagamentos a Pezão. Ainda de acordo com o delator, quando Cabral deixou o governo o caso se inverteu: Pezão o indicou para efetuar os pagamentos ao seu padrinho político. O valor, mensal, era de R$ 400 mil.