Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de maio de 2015
Convocado para prestar depoimento à CPI da Petrobras, o ex-vice-presidente da construtora Engevix Gerson Almada, investigado pela Operação Lava-Jato, recorreu ao direito de ficar calado e se negou nesta quinta-feira (21) a responder perguntas dos deputados que integram a comissão. Diante do silêncio do ex-dirigente da empreiteira, os parlamentares decidiram liberá-lo menos de 20 minutos depois do início da sessão.
Almada foi preso na sétima fase da Lava-Jato, deflagrada pela PF (Polícia Federal) em novembro de 2014. Em abril deste ano, ele foi autorizado a migrar para o regime de prisão domiciliar. O ex-vice-presidente da Engevix e outros executivos de empreiteiras presos na Lava-Jato são suspeitos de terem formado um cartel de construtoras para superfaturar e dividir entre si obras da Petrobras. Segundo o MPF (Ministério Público Federal), o chamado “clube das empreiteiras” fraudava licitações pagando propina a funcionários da estatal do petróleo, a políticos e partidos.
Na abertura da sessão desta quinta da CPI, Almada leu um documento com informações sobre sua carreira e a história da Engevix. Depois, informou aos parlamentares que ficaria calado. “Seguindo orientação dos advogados, não me manifestarei nesta sessão”, enfatizou. O executivo da Engevix disse que entregaria à comissão seus depoimentos feitos à Justiça e à Polícia Federal.
O relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), perguntou a Almada se ele ficaria calado de qualquer forma ou se poderia responder a alguns questionamentos. O executivo disse que a decisão de ficar em silêncio valeria para todas as perguntas, conforme orientação dos advogados dele. Depois disso, o deputado petista sugeriu que Almada fosse dispensado e o presidente Hugo Motta o liberou.
Parlamentares que integram a CPI criticaram a decisão do presidente. A deputada Eliziane Gama (PPS-MA) disse que “repudiava” a liberação do depoente. Motta argumentou que a maioria dos depoimentos em que pessoas optaram por não falar foram improdutivos. O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) pediu que a CPI evolua para a fase das acareações, que consiste em confrontar os depoimentos de várias pessoas. Atualmente, a comissão está na fase de ouvir empreiteiros. “O senhor Gerson Almada perde oportunidade de prestar esclarecimentos e defender a companhia a qual tantos anos serve”, afirmou.
Adiamento
O depoimento do vice-presidente afastado da empreiteira Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite, que estava inicialmente previsto para esta quinta-feira, foi reagendado para a próxima terça-feira (26). O advogado de Leite informou que tinha outros compromissos nesta data.
Os comentários estão desativados.