Terça-feira, 03 de novembro de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Saúde Excesso de treino afeta a regulação química do cérebro, mostra novo estudo

Compartilhe esta notícia:

Estudo revelou que o excesso de treinos sem o descanso adequado modificam a regulação de dopamina. (Foto: Reprodução)

Um estudo publicado na revista Neuroscience, segundo a agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), revelou que o excesso de treinos sem o descanso adequado modificam a regulação de dopamina – neurotransmissor conhecido como “hormônio do prazer” — no hipocampo, uma região cerebral intimamente ligada à memória e à regulação das emoções.

Pesquisadores brasileiros, submeteram camundongos a uma rotina de exercícios intensos e notaram que a dopamina permaneceu alta justamente na hora em que os animais deveriam estar repousando. De acordo com a Fapesp, se esse mesmo mecanismo se confirmar em humanos, a descoberta pode ajudar a explicar por que atletas que treinam excessivamente sofrem com ansiedade, insônia e fadiga crônica. Além de destacar a importância biológica do descanso para o rendimento físico e a saúde mental.

De acordo com a Fundação, o primeiro autor do estudo, Alisson Luiz da Rocha, afirmou que os dados reforçam a ideia de que a atividade física atua de forma direta e profunda no sistema nervoso central, indo muito além do ganho de massa muscular.

“Nossos achados mostram que o excesso de exercício físico não afeta apenas o músculo esquelético, mas tem um impacto pronunciado no cérebro”, disse o pesquisador.

A Fapesp ainda explicou que, durante a pesquisa, os cientistas dividiram os camundongos em dois grupos principais. O primeiro passou por um teste de esforço intenso, correndo em uma esteira até a exaustão. Já o segundo grupo simulou a rotina severa de atletas de alto rendimento que sofrem da síndrome de overtraining, caracterizada por perda de performance e de apetite, fadiga crônica, dor muscular, aumento de lesões, alterações no sistema imune e no metabolismo.

Nesse segundo grupo, os animais treinaram por oito semanas progredindo com cargas mais pesadas, chegando a duas sessões por dia separadas por apenas quatro horas de recuperação na última semana. Em seguida, os pesquisadores analisaram o hipocampo dos animais de ambos os grupos, medindo os níveis de dopamina, serotonina e de proteínas envolvidas na produção desses neurotransmissores, como a tirosina hidroxilase (TyrH) e o transportador vesicular de monoaminas 2 (VMAT2).

“Os resultados mostraram que, no exercício intenso, a dopamina subiu logo após o fim da corrida. Porém, o achado mais crítico ocorreu no grupo do treinamento crônico, em que os níveis de dopamina e da enzima TyrH, responsável por sua síntese, estavam elevados 48 horas após o teste de desempenho, durante a fase de repouso dos camundongos”, explicou a Fapesp.

O coordenador do estudo, o professor da EEFERP-USP Adelino Sanchez Ramos da Silva, disse que caso alterações semelhantes ocorram em humanos, elas poderão contribuir para compreender possíveis relações entre o treinamento excessivo, a regulação cerebral e os distúrbios do sono.

De acordo com a Fundação, o estudo não mediu sono, estado de alerta ou ansiedade, e a relação entre o achado nos camundongos e esses sintomas em humanos poderá ser explorada em pesquisas futuras.

Na pesquisa, ainda segundo a Fapesp, os autores enfatizam que a dopamina não é uma vilã biológica, já que é necessária para a sensação de prazer e para nos manter despertos nas horas certas. O problema real, como aponta Rocha, é o desequilíbrio gerado quando ela aumenta na hora de dormir, além da proporção desigual que se cria em relação a outros neurotransmissores.

O estudo não encontrou diferenças significativas nos níveis de serotonina dos animais, contrariando uma hipótese antiga de que essa substância isolada seria a grande causadora da fadiga excessiva.

“Embora a relação direta com o sono e a ansiedade em humanos ainda precise ser medida em testes futuros, a mensagem principal é clara. Para evitar a perda de performance, dores crônicas e falhas no sistema imune, respeitar o tempo de recuperação do corpo é inegociável. Tanto para atletas profissionais quanto para os amadores, os benefícios do exercício podem ser perdidos se a prática não for acompanhada de descanso adequado e orientação especializada”, afirmou a Fapesp. As informações são do jornal O Globo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Nos Estados Unidos, Flávio registra presença em sessão sobre PEC da Segurança
Senado aprova PEC da Segurança com penas mais duras para facções, fortalecimento da Polícia Federal e sem redução da maioridade
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x