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Colunistas Expurgos em Pequim

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(Foto: Pixabay)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O que se testemunha nos últimos dias de 2025 na China não é o prometido “rejuvenescimento nacional” de Xi Jinping, mas um mergulho em uma paranoia autocrática que remete aos períodos mais sombrios da era Mao Tsé-Tung. O recente expurgo no alto escalão militar — o mais profundo em décadas — expõe as vísceras de um regime que, sob a fachada de força inabalável, parece corroído por uma insegurança interna crônica.

Em dezembro de 2025, a destituição dos generais Lin Xiangyang (Comando Leste) e Wang Qiang (Comando Central) selou um movimento de substituição técnica por lealdade ideológica. As trocas nas frentes sensíveis de Taiwan e da segurança da capital, Pequim, revelam que a competência militar foi relegada ao segundo plano. A remoção de figuras como He Weidong e Miao Hua sob acusações genéricas de “corrupção” confirma que a campanha iniciada em 2012 transmutou-se definitivamente em uma ferramenta de eliminação de rivais faccionais.

Paradoxalmente, essa instabilidade ocorre enquanto a China acelera sua expansão nuclear. Relatórios indicam que o arsenal chinês saltou para 600 ogivas em 2024, com projeção de ultrapassar 1.000 até 2030. A construção de silos de mísseis estratégicos próximo à Mongólia funciona como um escudo de intimidação: um aviso ao mundo para que não interfira nos expurgos internos de Xi. Contudo, essa combinação de comando político instável e poder de destruição sem precedentes aumenta o risco de erros de cálculo globais.

A narrativa oficial da corrupção esconde falhas sistêmicas que afetam a eficácia do Exército de Libertação Popular. Investigações apontam desde a venda de postos até falhas graves na aquisição de equipamentos, incluindo mísseis defeituosos. Ao priorizar oficiais “vermelhos e experts”, Xi Jinping sacrifica a expertise em prol do controle absoluto. O resultado é um ambiente pautado pelo medo e pela paralisia burocrática, onde oficiais evitam iniciativas por receio de serem o próximo alvo da “purificação” partidária.

Essa incerteza estratégica força o Ocidente e os vizinhos asiáticos a recalibrarem suas defesas. Analistas debatem se a purga é um prelúdio para uma ação militar contra Taiwan ou se Xi Jinping, ao descobrir a fragilidade de suas próprias tropas, está apenas tentando evitar um colapso interno. De qualquer forma, a instabilidade no topo do comando chinês reduz a previsibilidade do regime, transformando crises domésticas em riscos de segurança global permanentes.

O isolamento de Xi Jinping no topo do Politburo o torna dependente de um círculo cada vez menor de lealistas, incapazes de confrontá-lo com a realidade. O expurgo de 2025 é o testemunho de um sistema que prioriza a sobrevivência da facção no poder acima da eficácia do Estado. A China de hoje projeta-se como um colosso armado, mas sua estrutura interna revela fissuras profundas: um gigante cuja harmonia é mantida apenas pela força bruta.

Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Conselheiro e Diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal. 

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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