Quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de outubro de 2026
A extrema direita alemã conquistou nessa terça-feira (6) a presidência do Parlamento regional da Saxônia-Anhalt, pela primeira vez desde 1945, um mês após sua vitória sobre os conservadores do chanceler Friedrich Merz.
Na primeira votação, 48 dos 82 deputados votaram a favor de Tobias Rausch, o candidato proposto pela Alternativa para a Alemanha (AfD); 29 votaram contra e cinco se abstiveram, segundo a contagem oficial.
Esse partido anti-imigração e pró-Rússia obteve quatro votos a mais do que o previsto. Antes da votação, os 39 deputados da AfD contavam publicamente apenas com o apoio dos cinco representantes da pequena legenda de ‘esquerda conservadora’ pró-Rússia, o BSW.
Havia muitas dúvidas sobre a possível presença de dissidentes entre os 15 deputados conservadores da CDU, o partido de Merz, enquanto a legenda perde apoio nas pesquisas à medida que a AfD se fortalece.
A eleição do chefe do Executivo regional está prevista para dezembro, e a AfD tentará obter maioria absoluta para seu candidato, Ulrich Siegmund.
O líder regional dos social-democratas, Andreas Schmidt, classificou a eleição de Rausch como “lamentável”.
A vitória da AfD na Saxônia-Anhalt, no início de setembro, provocou um terremoto político na Alemanha e enfraqueceu o líder conservador Friedrich Merz, cuja coalizão com os social-democratas está sendo prejudicada por disputas internas e por uma popularidade em mínimos históricos.
Pouco depois, a AfD conquistou uma segunda vitória em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, um novo revés político, embora a expectativa final seja a de que uma coalizão de esquerda governe a região.
Quem é Tobias Rausch?
Embora a AfD tenha disputado esta eleição com vários políticos extremistas, Rausch é retratado pela imprensa alemã como mais moderado, descrevendo a si mesmo como “pragmático”. Diferentemente de outros parlamentares que tomaram posse nesta terça, ele também tem experiência, ocupando uma cadeira no Parlamento estadual desde 2016 e comandando o grupo parlamentar da AfD desde 2021.
Rausch, porém, não está livre de controvérsias. A AfD se viu envolvida neste ano em um escândalo relacionado a deputados que contratavam familiares de outros parlamentares, em uma espécie de rede circular de nepotismo que garantia que o dinheiro público destinado ao funcionamento dos gabinetes permanecesse entre suas famílias.
Na ocasião, Rausch reconheceu publicamente que seus irmãos e amigos de seu clube de futebol já foram contratados por seu gabinete ou por outros integrantes da AfD. As informações são da agência de notícias AFP e do jornal The New York Times.
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