Sábado, 09 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de maio de 2017
Médicos estão cada vez mais preocupados com a crescente resistência bacteriana a antibióticos, alimentada pelo uso de drogas substitutas e menos eficazes, quando não há penicilina disponível.
A penicilina já foi considerada um remédio milagroso, mas hoje está escassa em todo o mundo, já que poucas empresas ainda a fabricam.
Uma dose de benzatina penicilina, uma das formulações mais antigas do antibiótico, consegue curar os primeiros estágios da sífilis, doença mortal que assola a humanidade há mais de 500 anos e está crescendo novamente.
Os laboratórios que fabricam o remédio, além de serem poucos, também produzem pouco dele, pois o medicamento não tem patente, gera pouco lucro e não há muitos dados sobre demanda.
Com a escassez global do remédio, médicos usam medicamentos substitutos, como a azitromicina, antibiótico cada vez mais ineficaz contra determinadas cepas da bactéria da sífilis.
Mutações genéticas que tornaram a sífilis resistente a uma família de antibióticos chamada macrólidos, que inclui a eritromicina e a azitromicina, vêm sendo documentadas em todo o mundo nas últimas décadas, da China aos EUA. Na América Latina, há evidências de bactérias modificadas de sífilis na Argentina.
Uma das razões do surgimento da sífilis resistente é o uso extenso desses remédios para tratar a infecção no passado, revelam pesquisadores da Universidade de Zurique, autores de um artigo sobre as cepas resistentes da doença, publicado em 2016. A penicilina benzatina é o remédio de primeira linha contra a sífilis, mas macrólidos são usados quando não há penicilina ou em casos de alergia.
Embora a resistência a antibióticos seja um processo natural, a escassez de medicamentos de primeira linha pode aumentar o risco de as bactérias se tornarem resistentes a antibióticos.
Um relatório recente encomendado pelo governo britânico estimou que 700 mil pessoas morrem anualmente devido à resistência a medicamentos. O texto alerta que, se o problema não for atacado agora, bactérias resistentes podem causar a morte de até 10 milhões de pessoas por ano até 2050, com um prejuízo de até US$ 100 trilhões para a economia mundial. (Folhapress)
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