Terça-feira, 21 de julho de 2026
Por Gisele Flores | 20 de julho de 2026
Milton Cardoso (PSDB), Marcel Van Hattem (NOVO), Ubiratan Sanderson (PL), Frederico Antunes (PSD), Paulo Pimenta (PT), Manuela D’Ávila (PSOL),Germano Rigotto (MDB), Milton Cardoso (PSDB) e Presidente da Fecomércio Luiz Carlos Bohn.
Foto: Gisele Flores.
Pluralidade de propostas expôs contrastes entre candidatos: de reformas estruturais e liberdade econômica a políticas sociais e inclusão, em sintonia com as bandeiras da Fecomércio-RS por segurança jurídica, tributária e competitividade.
A Fecomércio-RS realizou em Porto Alegre um debate com pré-candidatos ao Senado, reunindo empresários e lideranças políticas para discutir os principais desafios da economia gaúcha e nacional. O encontro, conduzido pelo presidente Luiz Carlos Bohn, destacou temas como reforma tributária, segurança jurídica, gestão pública eficiente e modernização das relações de trabalho, reforçando o papel da entidade como ponte entre o setor produtivo e a política.
O setor de comércio e serviços, representado pela Fecomércio-RS, é o maior motor da economia gaúcha. Ele responde por 51% do PIB estadual, enquanto a indústria representa 22,5%, o setor público 13% e a agropecuária 13,5%. Em número de empresas, 79,9% pertencem ao comércio de bens, serviços e turismo, contra 18,9% da indústria e apenas 0,3% da agropecuária. No emprego formal, o setor também lidera: 55,8% dos postos de trabalho estão no comércio e serviços, seguido pela indústria (26,6%), agropecuária (14,7%) e setor público (3%). Esses números reforçam a centralidade da Fecomércio-RS na defesa de políticas que garantam competitividade e crescimento sustentável.
Pleitos de cada pré-candidato ao senado
Bandeiras da Fecomércio-RS
A entidades reforçou que suas principais bandeiras estão voltadas para a construção de um ambiente de negócios mais competitivo e sustentável. Entre elas, destacam-se a busca por uma gestão pública eficiente, capaz de racionalizar gastos e melhorar a qualidade dos serviços; a defesa de uma reforma tributária simplificada, que reduza a complexidade e os custos para as empresas; a modernização das relações de trabalho, garantindo maior flexibilidade e segurança jurídica; o fortalecimento do turismo como vetor de desenvolvimento regional; e, sobretudo, a consolidação da segurança jurídica, considerada essencial para atrair investimentos e estimular o crescimento econômico.
Entrega das propostas
Antes de finalizar o evento, o presidente da Fecomércio, Sesc, Senac e FEP, Luiz Carlos Bohn, convidou os pré-candidatos ao Senado para receberem as cartilhas de propostas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Fecomércio. Os documentos reúnem recomendações voltadas ao fortalecimento do desenvolvimento econômico e social do Brasil e do Rio Grande do Sul, reafirmando o compromisso das entidades com o diálogo e a construção de políticas públicas que contribuam para o crescimento sustentável e a competitividade do setor produtivo.
Durante o debate, um dos temas que mais chamou atenção foi a reforma tributária e a criação do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) — um modelo de tributação sobre consumo já usado em mais de 180 países. Ele substitui tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS, cobrando apenas sobre o valor que cada empresa adiciona ao produto ou serviço, evitando a chamada “cobrança em cascata”. No Brasil, será adotado o IVA Dual, formado por dois impostos: CBS (federal) e IBS (estadual/municipal). A proposta busca simplificar o sistema e dar mais transparência, mas preocupa empresários pela alta alíquota estimada, próxima de 27%, e pelo impacto no capital de giro com o mecanismo de split payment, que retém parte do imposto no ato da compra.
Bohn agradeceu também a presença de Felipe Miranda, coordenador legislativo da Diretoria de Relações Institucionais da CNC, destacando o trabalho da Confederação na elaboração das propostas.
Importância do Debate
O debate da Fecomércio-RS evidenciou que o setor produtivo gaúcho busca mais do que discursos eleitorais: exige reformas estruturais, estabilidade institucional e políticas que garantam competitividade frente ao avanço global. Enquanto alguns candidatos defendem maior protagonismo do Senado na democracia e programas sociais robustos, outros enfatizam liberdade econômica, redução da carga tributária e modernização das relações de trabalho.
Esse contraste mostra que o futuro do Rio Grande do Sul dependerá da capacidade de conciliar agendas distintas: crescimento com inclusão, eficiência com justiça social, inovação com segurança jurídica. Ao reunir pré-candidatos de diferentes espectros e entregar propostas concretas, a Fecomércio-RS reafirmou seu papel de liderança como articuladora entre empresários e formuladores de políticas públicas, sinalizando que o setor de comércio e serviços — responsável por mais da metade do PIB estadual e pela maioria dos empregos formais — será protagonista nas escolhas que moldarão o próximo ciclo econômico do Estado e do país.
O pleito de 2026 terá caráter decisivo: dos oito nomes que participaram do debate, apenas dois serão eleitos para representar o Rio Grande do Sul no Senado Federal, o que amplia a relevância das propostas discutidas e a responsabilidade dos candidatos em responder às demandas do setor produtivo e da sociedade gaúcha. (Por Gisele Flores – Gisele@pampa.com.br)
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