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Acontece Federação Econômica Brasil, Argentina e Paraguai toma posse

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FEBAP assume nova diretoria na Fenasoja e reforça agenda de integração econômica no Cone Sul.

Foto: Divulgação
FEBAP assume nova diretoria na Fenasoja e reforça agenda de integração econômica no Cone Sul. (Foto: Divulgação)


A posse da nova diretoria da Federação Econômica Brasil, Argentina e Paraguai – FEBAP Brasil, realizada em 1º de maio durante a Fenasoja 2026, em Santa Rosa, ocorre em um momento em que a integração regional deixa de ser discurso diplomático e passa a ser condicionante econômica para competitividade no agronegócio e no comércio transfronteiriço.

O empresário José Paulo Schnorr Taborda assume a presidência da entidade no Brasil para o biênio 2026/2028. A estrutura trinacional mantém Susana Lugo na representação paraguaia e Daniel Rios na coordenação internacional, preservando um modelo de governança compartilhada que reflete a própria natureza econômica da fronteira.

A nova gestão sucede a administração de Gerson Miguel Lauermann e Olga Fischer, mantendo continuidade institucional em uma entidade cuja atuação depende menos de ciclos políticos e mais da dinâmica de fluxos comerciais entre os três países.

A FEBAP atua como uma plataforma de articulação empresarial e institucional entre Brasil, Argentina e Paraguai, sem caráter governamental, sem fins lucrativos e de natureza apartidária. Sua função central é reduzir fricções econômicas em uma região onde cadeias produtivas já operam de forma integrada, mas ainda enfrentam assimetrias regulatórias, logísticas e tributárias.

A origem da entidade remonta à FEBA, criada em 1990 em Santa Rosa, em um contexto de intensificação do comércio regional pós-abertura econômica no Cone Sul. A proposta inicial era organizar relações bilaterais Brasil–Argentina que já existiam na prática, especialmente em regiões de fronteira com forte integração produtiva.

Em 1992, a estrutura foi ampliada em Santo Ângelo com a inclusão do Paraguai, formando a atual FEBAP. Desde então, a entidade atua como vetor de integração econômica informal, conectando setores produtivos, câmaras empresariais e lideranças regionais.

Na prática, o eixo Brasil–Argentina–Paraguai representa uma área de intensa circulação de grãos, proteína animal, insumos industriais e energia. O Brasil mantém posição de liderança global na soja, enquanto Argentina e Paraguai desempenham papéis estratégicos em processamento, logística e complementaridade produtiva. Essa interdependência cria uma zona econômica de fato integrada, embora ainda sujeita a barreiras de fronteira.

A realização da posse dentro da Fenasoja reforça esse contexto. A feira, historicamente vinculada ao agronegócio, evoluiu para um ambiente de articulação econômica regional, reunindo produtores, indústrias, investidores e lideranças políticas. Ao inserir sua cerimônia no evento, a FEBAP sinaliza alinhamento direto com o principal vetor econômico do Sul do Brasil: o agronegócio exportador.

O ato reuniu autoridades regionais e representantes institucionais, em um ambiente no qual a pauta dominante é a competitividade sistêmica. No agronegócio, custos logísticos, previsibilidade regulatória e acesso a mercados são variáveis tão determinantes quanto produtividade no campo. Nesse sentido, iniciativas de integração regional buscam reduzir o chamado “custo fronteira”, um dos principais gargalos do comércio no Cone Sul.

A nova diretoria assume com três frentes centrais: ampliação de conexões empresariais, fortalecimento institucional e estímulo à circulação econômica entre os países. Na prática, isso envolve facilitar encontros de negócios, aproximar cadeias produtivas e pressionar por maior previsibilidade regulatória.

Embora não disponha de poder normativo, a FEBAP atua como articuladora de interesses privados e institucionais, funcionando como canal de interlocução entre economia real e ambiente político regional. Em economias abertas e altamente dependentes de exportação de commodities, esse tipo de estrutura ganha relevância ao reduzir assimetrias de informação e incentivar cooperação transfronteiriça.

A posse em Santa Rosa, portanto, não se limita a uma cerimônia simbólica. Ela se insere em um movimento mais amplo de reorganização das relações econômicas no Cone Sul, em que integração regional deixa de ser projeto político e passa a ser resposta pragmática à pressão por eficiência, escala e competitividade internacional. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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