A abertura da Fenasul Expoleite e da 5ª Multifeira de Esteio, nesta quarta-feira, inaugura oficialmente um dos eventos mais estratégicos do calendário agropecuário do Rio Grande do Sul. Mais do que o início de uma programação tradicional do setor leiteiro, a edição de 2026 consolida um movimento que vem reposicionando a feira dentro do agro regional: o de transformar um encontro historicamente ligado à pecuária em uma plataforma ampliada de negócios, inovação, conexão entre cadeias produtivas e aproximação entre campo e cidade.
Realizada no Parque de Exposições Assis Brasil — endereço simbólico do agronegócio gaúcho e palco dos principais eventos rurais do Estado — a feira reúne a 19ª Fenasul, a 46ª Expoleite e a 5ª Multifeira, ampliando um modelo que une tradição produtiva e diversificação econômica.
É uma feira que preserva suas origens, mas fala cada vez mais sobre futuro.
A expectativa é de grande circulação de público até domingo, impulsionada por uma programação que combina julgamentos de animais, conteúdo técnico, rodada de negócios, exposição comercial, agricultura familiar, rodeio e atrações culturais.
A entrada é gratuita e os portões funcionam das 8h à meia-noite, reforçando uma estratégia clara de democratização do acesso e ampliação do alcance social do evento.
Historicamente, a Expoleite consolidou-se como uma das principais vitrines da cadeia leiteira do Sul do país. É ali que produtores, técnicos, cooperativas e empresas discutem produtividade, genética, manejo, sanidade e inovação em uma atividade que permanece estratégica para a economia gaúcha.
Dados do IBGE mostram que o Rio Grande do Sul segue entre os maiores produtores de leite do Brasil, sustentando milhares de propriedades rurais e uma cadeia que movimenta bilhões de reais ao ano.
Mas a edição de 2026 deixa claro que a feira já ultrapassou os limites da bovinocultura leiteira.
A presença da 5ª Multifeira, com 116 expositores, amplia o perfil do evento e fortalece sua vocação como vitrine da economia regional. Empresas, instituições e empreendedores ocupam os pavilhões com produtos, serviços e soluções que conectam o agro à indústria, ao comércio e ao desenvolvimento urbano.
É um retrato fiel do agro moderno: integrado, transversal e economicamente conectado.
Outro destaque desta edição é a chegada da Fenovinos, que agrega cerca de 800 ovinos à programação e eleva para mais de 2 mil animais o total presente no parque, entre bovinos, ovinos, equinos, aves, caprinos, coelhos, chinchilas e abelhas.
Na prática, a feira se transforma em uma das maiores vitrines da diversidade pecuária do Estado no primeiro semestre.
A programação técnica permanece como um dos grandes pilares do evento.
Entre os destaques estão o Concurso Leiteiro das raças Holandesa e Jersey, realizado nos dias 13 e 14; os tradicionais julgamentos morfológicos; o Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira; e o debate sobre tecnologias para mitigação de gases de efeito estufa na cadeia do leite, pauta que conecta a feira às novas exigências globais de sustentabilidade.
O recado é claro: produzir mais já não basta; é preciso produzir melhor.
No campo cultural, a programação amplia ainda mais o alcance do evento.
Entre quinta e domingo ocorre o tradicional Rodeio Fenasul, enquanto o 4º Rodeio Artístico de Esteio reúne dezenas de grupos tradicionalistas, reforçando a identidade cultural do campo gaúcho e a conexão entre agro e tradição.
Outro eixo que ganha força em 2026 é a agricultura familiar.
Pela primeira vez, o governo estadual apoia diretamente o Pavilhão da Agricultura Familiar, que reúne 40 agroindústrias gaúchas com produtos como queijos, doces, embutidos, geleias, licores e artesanato rural.
A presença do segmento dentro da feira reforça uma mensagem importante: o agro gaúcho é diverso.
Ele é feito de grandes cadeias exportadoras, mas também de pequenos produtores que agregam valor, geram renda local e sustentam milhares de famílias no interior.
Esse talvez seja o maior símbolo desta edição.
A Fenasul Expoleite preserva sua essência histórica ligada ao leite e à pecuária, mas amplia sua linguagem para dialogar com um agro mais moderno, mais plural e mais conectado às demandas do mercado.
Ao abrir seus portões, a feira reafirma sua relevância não apenas como evento setorial, mas como espaço de encontro entre tradição, inovação e futuro — três pilares que hoje definem o novo agro gaúcho. (por GiseleFlores – gisele@pampa.com.br)
