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Brasil Fernando Haddad voltou a admitir erros de governos do PT e diz que vai recuperar o projeto com correções

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Bandeira vermelha tem sido deixada de lado na campanha de Haddad. (Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, voltou a admitir nesta segunda-feira erros cometidos pelos governos comandados pelo partido, e afirmou que vai recuperar o projeto petista com correções.

“Houve erros do PT, mas não vamos jogar a criança com a água do banho, vamos recuperar um projeto de inclusão, democrático, de desenvolvimento corrigindo os erros”, disse o presidenciável em entrevista coletiva em São Paulo.

 

“Mas jogar o projeto fora porque houve erros me parece um mau negócio”, acrescentou.

Haddad disse ainda que, se eleito, atuará dentro das normas da Lei de Responsabilidade Fiscal e defendeu que é preciso retomar o investimento para que a arrecadação volte a crescer.

“Minha proposta é voltar às normas da Lei de Responsabilidade Fiscal, votada em 2000 e foi suficiente para cumprir as metas estabelecidas, fazer a dívida pública cair como caiu, depois houve um desarranjo disso no final de 2014, sobretudo em 2015, em função da queda de arrecadação, não em função do aumento da despesa”, afirmou Haddad.

“A saída para o Brasil é voltar a investir para a arrecadação voltar a crescer e a gente equilibrar com a reforma tributária e a reforma bancária”, acrescentou o candidato petista, citando as duas reformas que pretende encaminhar ao Congresso no início do governo.

Haddad também prometeu realizar num primeiro momento uma reforma da Previdência no setor público para que depois se crie um único regime geral.

“Nós temos que fazer uma reforma da Previdência pública para que num segundo momento a gente unifique o regime geral e os regimes próprios numa única regra que valha para todo mundo, sem privilégio para ninguém”, disse o ex-prefeito de São Paulo.

“Não haverá regime único sem fazer a reforma dos regimes próprios. É uma estratégia diferente da do governo Temer, busca os mesmos resultados, mas com uma estratégia diferente.”

Imagem descolada

Um dia depois do primeiro turno, após uma reunião tensa de avaliação de erros e tentativas de traçar um caminho para o segundo turno, o conselho político de campanha do PT concordou em usar aos dias restantes para construir uma imagem de um Fernando Haddad independente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e levar o candidato petista a assumir as rédeas da campanha e impor seu discurso.

A nova postura da campanha era uma cobrança de aliados e de parte do PT, mas enfrentava resistência de partes do partido que acreditavam que a transferência de votos do ex-presidente ainda não estava finalizada.

“Haddad chega muito como a substituição do Lula. Agora o Haddad do segundo turno é o Haddad. Tem um primeiro momento que foi a transferência, mas agora ninguém vive só do que foi. As pessoas em uma eleição vivem fundamentalmente do que vai ser. Agora é a hora do presidente Haddad dizer ‘o meu programa de governo'”, disse o senador eleito Jaques Wagner que, com sua eleição resolvida na Bahia, foi chamado por Haddad para se integrar à coordenação da campanha.

A transferência, especialmente no Nordeste, região onde o PT tem tradicionalmente uma boa votação, funcionou. Agora, Haddad ganhou em oito dos nove Estados do Nordeste –perdeu apenas no Ceará, para Ciro Gomes (PDT), que tem no Estado seu reduto eleitoral. O petista ganhou ainda no Pará.

A ideia agora é mostrar o lado mais “soft” do candidato, mais palatável a uma parcela dos eleitores que se incomoda com as radicalizações petistas, mas tem ojeriza a Jair Bolsonaro, e ter “Mais Haddad e menos Lula”.

A ideia da campanha não é esconder ou esquecer o ex-presidente, mas reafirmar Haddad como candidato, mostrar o currículo e sua capacidade e encontrar seu próprio discurso.

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