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Brasil Fernando Henrique Cardoso diz que só discute crise com Lula quando Lava-Jato terminar

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FHC diz que há elemento para impeachment. Foto: Reinaldo Canato/Folhapress

Oex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse na sexta-feira que apenas depois que a Operação Lava-Jato chegar ao fim sentará com o seu sucessor na Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para discutir a crise política e econômica do Brasil.

Em palestra na capital paulista, o tucano explicou que sempre esteve aberto ao diálogo com o petista, mas que agora tem receio diante das investigações. Lula não é investigado, mas na semana passada a Polícia Federal defendeu que o ex-presidente seja ouvido em investigação. “Deixa passar a Lava-Jato”, disse. Em sua fala, FHC demonstrou decepção com o desempenho de Lula na Presidência ao afirmar que seu sucessor foi capturado pela “política tradicional” e não aproveitou suas qualidades, como a autenticidade, para romper com setores atrasados da política.

Além disso, lamentou a decisão do petista de “transformar o PSDB em inimigo principal”. Ao tratar dos desdobramentos da operação, o tucano recomendou que o seu partido tenha cautela ao negociar alianças com outras legendas no momento em que políticos aparecem citados como beneficiários de esquemas de corrupção.

“Já disse ao PSDB. Vai devagar porque eu não sei quem vai estar de pé depois da Lava-Jato. Temo que se faça aliança precipitada com gente que vai ser expurgada”, ressaltou. A declaração é uma resposta aos correligionários em meio às conversas de bastidores entre tucanos e peemedebistas em torno de um possível impeachment da presidenta Dilma.

Antes da palestra, que marcou o lançamento do seu livro “A Miséria da Política”, o tucano rebateu as declarações de Dilma que acusou a oposição de usar a crise econômica para dar um golpe. “Quem está sofrendo a crise não quer dar golpe, quer se livrar da crise. Na medida em que o governo faz parte da crise, as pessoas começam a se perguntar se vai durar ou não. Não é golpe.”

FHC observou que há elementos políticos para o impeachment, mas que o afastamento está condicionado ao julgamento das contas do governo e pelo desenrolar das representações por supostas irregularidades na campanha da petista.

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