Segunda-feira, 06 de julho de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil “Ficamos doídos quando falaram que não éramos médicos”, diz um médico cubano

Compartilhe esta notícia:

Cubanos durante embarque em Brasília. (Foto: Karina Zambrana/ASCOM/MS)

Alguns cubanos passaram por situações desagradáveis quando chegaram ao Brasil. “Ficamos doídos quando falaram que não éramos médicos”, diz um médico cubano que disse ter precisado comprovar o domínio do português e o conhecimento dos protocolos médicos do País. Mas, na hora da saída, eles se dividem entre a saudade de quem ficou por aqui e de quem vão encontrar em Cuba.

Os profissionais cubanos que participavam do Programa Mais Médicos lotaram a área de check-in internacional do Aeroporto de Brasilia na noite de quinta-feira para o primeiro voo fretado de volta ao país caribenho desde que Cuba anunciou o fim da parceria com o governo brasileiro.

Com bandeiras de Cuba e do Brasil, muitas malas e adesivos no peito exaltando a medicina cubana, muitos deles estavam receosos de comentar a decisão do governo de seu país, mas admitiram uma certa frustração ao ter que deixar os locais onde construíram laços com as comunidades.

“A gente trabalhava com uma aceitação da prefeitura e foi uma surpresa, mas é uma decisão do governo e a gente aceita, pois somos médicos antes de tudo e prestamos serviços onde for necessário”, afirmou Raydel Guerra, de 30 anos, que atuava no interior do Paraná.

Assim como outros médicos cubanos, ele disse evitar tratar de política no Brasil, mas não escondeu o desconforto com algumas das falas do presidente eleito Jair Bolsonaro botando em dúvida se os cubanos eram mesmo médicos.

“Ficamos doídos com isso que estavam falando que não éramos médicos, porque a gente se forma e se submete a um processo rigoroso de seleção para poder vir aqui”, contou Guerra que disse ter precisado comprovar o domínio do português e o conhecimento dos protocolos médicos do Brasil.

Já a médica de 28 anos Milena Alfonso Gonzales, que atuava no interior de Pernambuco, divide a tristeza em deixar o Brasil com a saudade da família em Cuba.

Estávamos nos preparando para ir de férias para Cuba, mas depois avisaram que era o final do contrato. Estamos assim triste, porque deixamos pessoas para trás que gostamos muito, mas estamos alegres também porque vamos ver a familia que ficou em Cuba – disse Milena.

De acordo com Guerra, não havia nenhuma restrição de Cuba para os profissionais trazerem seus familiares, com afirmou Bolsonaro. O contrato dos profissionais cubano previa ainda que eles tinham um mês de férias por ano para passar em seu país.

“Nunca mexemos com política. Viemos para o Brasil ajudar o povo do Brasil que estava precisando de saúde. Seja qual for o presidente, se ele quiser que a gente fique, a gente vai trabalhar do mesmo jeito”, ressaltou Milena.

Partida

Carinho pela população, gosto pela comida brasileira e muitas, muitas compras vão na bagagem dos cubanos que começam a deixar o Brasil após o governo da ilha caribenha sair do programa Mais Médicos . Os primeiros grupos que embarcaram na quinta-feira rumo a Havana lotaram saguões de hotéis no centro de Brasília. Malas, mochilas e sacolas se misturavam a caixas de TVs de última geração bem embaladas com o aviso “frágil” ou “muy frágil”.

Embora surpresos com a ordem de retorno tão repentina, não havia resistência ou reclamações expressas nas conversas que travavam publicamente. Questionados, afirmaram que não existem ameaças do governo cubano para evitar que fiquem no País.

“Viemos para cumprir uma missão que foi abreviada. Se acabou, nós voltamos”, resume Catarina, de 28 anos, que prefere não informar o sobrenome.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

A rede de livrarias Saraiva entrou na Justiça com pedido de recuperação judicial
Bolsonaro recua da ideia de indicar um de seus filhos para a Secretaria de Comunicação
Pode te interessar