Domingo, 04 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de janeiro de 2026
Filha de Lindomar Castilho, cantor de sucessos do brega como “Você é doida demais”, a psicóloga e coreógrafa Lili De Grammont fez um desabafo público após a morte do pai no último dia 20, aos 85 anos. No início da década de 1980, o cantor matou a tiros sua ex-mulher, a também cantora Eliane de Grammont, de apenas 25 anos, durante uma apresentação em São Paulo.
Lindomar foi condenado a 12 anos de prisão, cumpriu parte da pena. Dentro da prisão, de onde saiu em 1996, ele chegou a gravar um disco, batizado de “Muralhas da solidão”.
Em carta aberta ao pai, Lili cita perdão, diz que o pai “morreu em vida” após assassinar a própria mulher e que espera uma “segunda chance” com ele.
Leia a seguir a carta na íntegra: “Hoje um ciclo se encerra… O que te faz ser quem você é? As palavras não são suficientes para explicar o que estou sentindo! Só sinto uma humanidade imensa, sinto o tanto que estamos nesta terra para evoluir. Sinto o poder das coisas que verdadeiramente importam.
“Meu pai partiu! E como qualquer ser humano, ele é finito, ele é só mais um ser humano que se desviou com sua vaidade e narcisismo. E ao tirar a vida da minha mãe também morreu em vida. O homem que mata também morre. Morre o pai e nasce um assassino, morre uma família inteira.
“O que fica é: Somos finitos, nem melhores e nem piores do que o outro, não somos donos de nada e nem de ninguém, somos seres inacabados, que precisamos olhar pra dentro e buscar nosso melhor, estar perto de pessoas que nos ajudem a trazer a beleza pra fora e isso inclui aceitarmos nossa vulnerabilidade.
“Assim me despeço do meu pai, com a consciência de que a minha parte foi feita com dor sim, mas com todo o amor que aprendi a sentir e expressar nesta vida.
“Se eu perdoei? Essa resposta não é simples como um sim ou não, ela envolve tudo e todas as camadas das dores e delícias de ser, um ser complexo e em evolução.
“Diante de tudo isso, desejo que a alma dele se cure, que sua masculinidade tóxica tenha sido transformada.
“Pai, tudo é fugaz, não somos donos de nada e nem de ninguém. O que fica é a essência! O que fica é o religar, das almas que se conectam. O poder exige responsabilidade. Escolha sua melhor parte! Somos luz e sombra, tenha coragem de escolher sua luz.
“Me despeço com a certeza de que essa vida é uma passagem e o tempo é curto para não sermos verdadeiramente felizes, e ser feliz é olhar pra dentro e aceitar nossa finitude e fazer de cada dia um pequeno milagre.
“Pai, descanse e que Deus te receba, com amor… E que a gente tenha a sorte de uma segunda chance. Lili.” As informações são do jornal O Globo.