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Mundo Filho de Ali Khamenei vira favorito para ser o novo líder supremo do Irã

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Mojtaba Khamenei é uma figura influente no país, embora reclusa. (Foto: Tasnim News)

Os clérigos responsáveis por escolher o próximo líder supremo do Irã se reuniram nessa terça-feira (3) para debater a sucessão no país. No encontro, o filho do aiatolá Ali Khamenei despontou como o claro favorito para o cargo, de acordo com três autoridades iranianas familiarizadas com as negociações.

Eles disseram que os clérigos estavam considerando anunciar que Mojtaba Khamenei seria o sucessor de seu pai já na manhã desta quarta-feira (4). Alguns religiosos, porém expressaram ressalvas, temendo que isso pudesse expô-lo como alvo para os Estados Unidos e Israel. Ali Khamenei foi morto no ataque feito pelos EUA e por Israel no último sábado (28).

Todos eles conversaram com o jornal The New York Times sob condição de anonimato para discutir as deliberações internas.

Os clérigos fazem parte da Assembleia de Especialistas, órgão responsável por definir o novo líder supremo. Eles realizaram duas reuniões virtuais – uma pela manhã e outra à noite –, de acordo com as autoridades.

Nessa terça, Israel atacou um prédio em Qom, uma das principais sedes de poder do islamismo xiita, onde a Assembleia estava programada para se reunir e eleger o novo líder, mas o prédio estava vazio, segundo a agência de notícias Fars, que é ligada à Guarda Revolucionária iraniana.

Vali Nasr, especialista em Irã e islamismo xiita na Universidade Johns Hopkins (dos EUA), disse que Mojtaba Khamenei seria uma escolha surpreendente.

“Ele estava cotado para se tornar o sucessor há muito tempo”, disse Nasr, “mas nos últimos dois anos, isso parecia ter saído do radar. Se ele for eleito, isso sugere que é o lado muito mais linha-dura da Guarda Revolucionária do regime que agora está no comando.”

Mojtaba, de 56 anos, é uma figura influente no país, embora reclusa. Na maior parte do tempo, operou nas sombras do regime liderado por seu pai. Ele é conhecido por ser próximo da Guarda Revolucionária. O órgão pressionou por sua nomeação, argumentando que ele tinha as qualificações necessárias para conduzir o Irã neste momento de crise, de acordo com as três autoridades que conversaram com a reportagem.

“Mojtaba é a escolha mais sábia agora porque ele está intimamente familiarizado com a gestão e coordenação dos aparatos de segurança e militares”, disse Mehdi Rahmati, um analista em Teerã. “Ele já estava encarregado disso.”

Rahmati disse que, no entanto, nem todos ficarão satisfeitos. “Uma parcela do público reagirá negativamente e com força a essa decisão, e haverá uma reação contrária”, previu ele.

Apoiadores do governo o verão como uma continuação de um governante que consideram mártir e o apoiarão rapidamente, disse Rahmati. Mas opositores também o verão como uma continuação do regime, que nos últimos meses matou centenas de manifestantes.

Outros candidatos que emergiram como finalistas são Alireza Arafi, um clérigo e jurista que faz parte do conselho de transição de liderança de três pessoas nomeado após o aiatolá Khamenei ter sido morto, e Seyed Hassan Khomeini, neto do fundador da revolução islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini.

Tanto Arafi quanto Khomeini são vistos como moderados, sendo o último próximo da facção política reformista marginalizada no Irã.

Abdolreza Davari, um político próximo a Mojtaba, disse em declarações públicas e em entrevistas ao The New York Times que, se Khamenei sucedesse seu pai, ele poderia emergir como uma figura no estilo do líder saudita Mohammed bin Salman.

“Ele é extremamente progressista e vai agir para marginalizar os linha-dura”, disse Davari em uma mensagem de texto antes da guerra. “Veja sua nomeação como uma troca de pele.”

Mais cedo nessa terça, em uma entrevista coletiva de imprensa em Washington, o presidente Donald Trump disse que muitas das pessoas que seu governo via como potenciais líderes do Irã foram mortas desde sábado. “Em breve não vamos conhecer mais ninguém”, disse ele.

Questionado sobre o pior cenário no Irã, ele disse: “Acho que o pior caso seria fazermos isso e alguém assumir que seja tão ruim quanto a pessoa anterior. Certo, isso pode acontecer. Não queremos que isso aconteça.”

A Assembleia de Especialistas é formada por 88 clérigos xiitas experientes, escolhidos em eleições públicas. De acordo com a Constituição do Irã, o órgão é responsável por nomear, supervisionar e destituir o líder supremo.

Este será o segundo líder supremo que a Assembleia escolherá nos 47 anos de história da república islâmica.

Em 1989, a assembleia escolheu Khamenei, entregando-lhe as rédeas de uma teocracia recém-criada. Por mais de quatro décadas, ele governou com poder absoluto e pouca flexibilidade para mudanças.

A esposa de Mojtaba, Zahra Adel; sua mãe, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, e um filho foram mortos junto com seu pai nos ataques de sábado, disse o governo iraniano. (Com informações do The New York Times)

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