Sábado, 31 de Outubro de 2020

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Notícias Filho de Bolsonaro quer o congelamento de bens de cubanos e venezuelanos

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Eduardo Bolsonaro com o secretário-geral da OEA, Luis Almagro. (Foto: Reprodução/Instagram)

Após se reunir com assessores do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, afirmou que estuda parcerias com os EUA para pesquisar crimes financeiros das “ditaduras venezuelana e cubana”. De acordo com ele, há instrumentos de investigação dentro da chamada Convenção de Palermo contra o crime organizado que o Brasil poderia usar contra Caracas e Havana.

Caminhando diante da Casa Branca, Eduardo Bolsonaro afirmou que está estudando parcerias com o governo americano com esse propósito. No Brasil, segundo ele, a ação poderá ser coordenada pelo Itamaraty e o Ministério da Justiça, que será comandado por Sérgio Moro.

“Existem diversos instrumentos que o Brasil por anos, de maneira proposital, não levou a sério. São instrumentos que estão à mão. O juiz Sérgio Moro sabe melhor do que ninguém sobre lavagem de capitais, combate ao crime organizado, Convenção de Palermo. E junto com a equipe do embaixador Ernesto Araújo, tem muita coisa nessa área. Se você for congelar tudo aquilo que remete e passa pelas ditaduras cubana e venezuelana, pode dar um calote muito grande nesses ditadores”, disse ele.

Questionado se a Convenção de Palermo permite isso, o deputado afirmou acreditar que sim. Mas, se não for possível, ele disse que estuda criar um novo tratado com os americanos para cercar “as ditaduras” do continente.

“E se não for possível, estamos aqui costurando para que haja um tratado internacional nesse sentido. Tudo o que for possível. Os detalhes são os ministros [Araújo e Moro] que vão dar para vocês, mas certamente está na nossa ideia esse tipo de congelamento. Enfim, tudo aquilo que faz o povo passar fome, a gente pretende congelar”, disse ele.

Mais tarde, ele sugeriu que as investigações da Operação Lava-Jato poderiam ser usadas para investigar possíveis ativos de venezuelanos e cubanos no Brasil. De acordo com o deputado, as investigações da Lava-Jato, em especial os contratos da Odebrecht, deverão ser o caminho para que o governo brasileiro investigue o regime venezuelano.

“Com certeza. É só ter a vontade política para correr atrás deste prejuízo”, afirmou o deputado, ao ser questionado sobre se a Lava-Jato pode ser o caminho para investigar o regime venezuelano e cubano, ao sair de uma reunião no Departamento de Tesouro.

Tradicionalmente, a diplomacia brasileira só aplica sanções decididas em organismos multilaterais, como a ONU ou a OEA. O Brasil também não investiga unilateralmente supostos crimes cometidos em outros países, a não ser como parte de acordos de cooperação judicial. O texto da Convenção de Palermo estabelece uma série de cláusulas de proteção à soberania dos países-membros.

No Twitter, o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, publicou uma foto na qual aparece sorrindo e apertando a mão de Eduardo Bolsonaro. “Hoje me reuni com o deputado Eduardo Bolsonaro com quem conversei sobre a futura cooperação entre a OEA e o Brasil”, escreveu o secretário-geral em sua conta.

Eduardo Bolsonaro se reuniu na Casa Branca com representantes do Conselho de Segurança Nacional, do vice-presidente Mike Pence e do Departamento de Comércio. Ele disse que o Brasil vai voltar a reforçar laços comerciais com os EUA, que são “parceiros materiais”. E que tem sido bem recebido em todos os locais.

O deputado afirmou que essas são reuniões preliminares e que novos encontros poderão ampliar as iniciativas. Ele afirmou que uma eventual presença de Donald Trump na posse de Bolsonaro deverá ser decidida com a viagem de John Bolton, titular do Conselho de Segurança Nacional, ao Rio, no dia 29, quando se encontrará com o presidente eleito.

Eduardo Bolsonaro, que pela manhã já havia estado no Departamento de Estado e participado de um almoço no centro de estudos American Enterprise Institute, onde foi muito questionado sobre direitos humanos no futuro governo, foi a uma reunião no Departamento de Tesouro na tarde desta segunda-feira, em seu primeiro dia de viagem aos EUA.

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