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Saúde Filipinas importadas ganham até 2 mil reais como babás no Brasil

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Amy, filipina que trabalha para a advogada Thalita, mãe de gêmeas, ganha 2 mil reais mensais, mais 100 reais por sábado trabalhado e folga todos os domingos. (Crédito: Reprodução)

“Good morning, Liza! Milk, please.” É assim que os filhos da executiva Kely Alves, 41 anos, conversam com sua babá filipina no café da manhã. Liza Santandan, 42, começou a trabalhar em outubro do ano passado na casa de Kely. Ela não fala português. As crianças, de 10, 4 e 2 anos, não falam muito inglês.

“A língua é o de menos. Passaram mais de dez babás por aqui e nenhuma dava certo, porque ficavam de má vontade. A Liza está sempre bem-humorada, e eu preciso até pedir para ela parar de trabalhar. O povo filipino gosta de servir”, relata Kely.

Com dificuldade para encontrar empregadas que aceitem dormir no serviço, famílias de classe média alta estão trazendo domésticas das Filipinas para o Brasil.

A agência Global Talent já trouxe 70 filipinas para trabalharem de babá, empregada ou cozinheira. A empresa cuida da seleção das mulheres em Cingapura e da papelada no Ministério do Trabalho.

As filipinas entram no País com visto de trabalho válido por dois anos, renováveis por mais dois, e ganham de 1,8 mil reais a 2 mil reais por mês.

O contratante paga 6 mil reais para a agência e passagem da empregada. Os patrões garantem cumprir a legislação, com limite de oito horas de trabalho por dia, folgas, e benefícios como o INSS.

“A maioria dos que contratam são expatriados que querem uma empregada que fale inglês e brasileiros que moraram fora”, diz Priscila Rocha Leite, sócia da agência Home Staff, que oferece o serviço da Global Talent para as clientes da sua agência.

O País têm tradição de exportação de mão de obra para trabalhos domésticos – são 10 milhões de filipinos no mundo todo.

Melhores condições.

“Aqui o salário é melhor, consigo mandar mais dinheiro para minha família”, diz a filipina Amy Villariez, 33, que trabalha desde dezembro para uma família brasileira. Ela sustenta a filha de 9 anos e a mãe na terra natal.

Quando morava em seu país, Amy trabalhava em um supermercado e ganhava 200 dólares por mês. Depois, se mudou para Cingapura para trabalhar de babá. Lá, tinha só uma folga por mês e não podia nem colocar o celular para carregar na casa, porque os patrões reclamavam do gasto de energia. Ela também não podia usar o wi-fi, então “roubava” a internet do vizinho. Só comia o que sobrava e ganhava 300 dólares por mês. No Brasil, Amy ganha 2 mil reais mensais, mais 100 reais por sábado trabalhado e folga todos os domingos. Todo mês, manda 200 dólares para casa.

“É uma vantagem minhas filhas crescerem falando inglês e acho que estou ajudando a Amy a melhorar a vida dela também”, diz Thalita Assis, 35, advogada, que vive com o marido, as filhas gêmeas de um ano e Amy.

O casal morou 11 anos fora, em vários países. No último posto, Brunei, tinham uma empregada filipina. “[Ela] era incrível, fazia compras, limpava, cozinhava e dirigia. Ela até lavava o carro”, conta. “No Brasil, babá é só babá, cozinheira só cozinha e empregada só limpa.”

Regulamentação.

A importação de empregadas filipinas se tornou possível desde uma regulamentação de 2012 do Ministério do Trabalho, que permite a contratação de mão de obra estrangeira por pessoas físicas, e não apenas empresas.

O ministério ainda não tem dados exatos sobre empregadas filipinas no Brasil. Segundo Aldo Cândido, coordenador-geral de imigração no Ministério do Trabalho, o empregador precisará pagar todos os encargos, de acordo com a nova PEC (Proposta de Emenda à Constituição) das domésticas.

Leonardo Ferrada, 29, sócio da Global Talent, está fechando um acordo para importar mão de obra filipina para hotéis brasileiros, de olho nas Olimpíadas de 2016. (Patrícia Campos Mello/Folhapress)

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