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Eleições 2026 Flávio Bolsoanro favorito ou virada de Lula? Entenda o que dizem os especialistas sobre o segundo turno

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Analistas veem Flávio em posição mais favorável e avaliam que Lula terá de recuperar votos perdidos. (Foto: Divulgação)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega ao segundo turno em posição favorável na disputa pela Presidência, segundo especialistas em opinião pública ouvidos pelo Estadão. Para reverter o resultado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará recuperar votos perdidos em relação a 2022, mobilizar eleitores que não compareceram às urnas e conquistar apoiadores dos candidatos derrotados no primeiro turno.

Flávio, por sua vez, tende a herdar parte expressiva dos votos dos adversários eliminados. Seu principal desafio será evitar deslizes em entrevistas e debates, demonstrar preparo para governar e evitar posições radicais que afastem eleitores moderados.

Desde 1989, o candidato que terminou o primeiro turno na liderança venceu a segunda etapa da eleição presidencial. Uma eventual virada de Lula em 25 de outubro seria, portanto, inédita.

Luciana Chong, diretora do Datafolha, classifica a reversão do resultado como um “grande desafio” para o presidente. Segundo ela, a campanha petista precisará priorizar a mobilização dos eleitores ausentes, diante da maior taxa de abstenção desde 1998.

“O segundo turno é mais difícil para o Lula. Não vou dizer categoricamente que não tem jeito de reverter, mas é um cenário complicado”, afirma. A especialista observa que, em 2022, a abstenção caiu no segundo turno, movimento que poderia beneficiar o petista, já que eleitores de baixa renda tendem a votar mais no PT. Lula também precisará buscar apoio de lideranças políticas em estados onde ficou sem palanque, como Minas Gerais e São Paulo.

Maurício Moura, fundador do instituto Ideia, também considera a mobilização dos ausentes uma das principais possibilidades para o PT. Ele cita a eleição de 2006, quando Lula ampliou sua vantagem sobre Geraldo Alckmin no segundo turno após intensificar a campanha no Nordeste, especialmente em Pernambuco e no Ceará.

“O caminho para virar é a abstenção”, afirma Moura, que ressalta, porém, a dificuldade de mobilizar eleitores quando não há disputas estaduais simultâneas em boa parte do País.

O especialista também menciona a eleição presidencial colombiana como referência. Na disputa, o candidato governista Iván Cepeda tentou reduzir a desvantagem mobilizando eleitores que não haviam votado, em vez de concentrar esforços na conquista de votos da centro-direita. Com 99,45% da apuração, Abelardo de la Espriella tinha 49,66%, ante 48,70% de Cepeda.

Para Murilo Hidalgo, diretor do Paraná Pesquisas, reduzir a abstenção não será suficiente para garantir a vitória de Lula. O presidente também precisará conquistar eleitores de Flávio.

“Se a abstenção diminuir, diminui um ponto, não quatro ou cinco. Não é suficiente. Para ganhar, Lula precisa tirar voto do Flávio. É difícil, mas não impossível”, afirma. Na avaliação dele, embora Lula possa receber votos de eleitores de candidatos derrotados, a maior parcela tende a migrar para o senador, movimento parcialmente antecipado no primeiro turno.

Hidalgo considera que Flávio também terá de demonstrar capacidade para governar. “O grande desafio dele agora é este: provar que está preparado”, diz, ao destacar a importância das entrevistas e sabatinas.

Felipe Nunes, diretor da Quaest, avalia que Lula precisa recuperar os 3,4 milhões de votos perdidos em relação a 2022. Segundo ele, entre os eleitores que se afastaram do presidente estão os chamados “liberais sociais” e “empreendedores individuais”, que esperavam um governo de frente ampla e propostas reformistas.

Para Nunes, Flávio deverá conquistar eleitores de Cury, Caiado e Renan Santos. Para isso, afirma, o senador precisará assumir compromissos democráticos e moderados, evitando atitudes que possam ser interpretadas como radicais ou como sinais de ruptura. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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