Domingo, 18 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 18 de outubro de 2026
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, ingressou com uma manifestação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na sexta-feira (16), na qual acusa a Meta de ser negligente e de permitir a proliferação do impulsionamento de anúncios negativos contra ele, prática vedada pela Justiça Eleitoral.
A equipe jurídica pede que Flávio entre como terceiro interessado na representação apresentada pela campanha de seu adversário, o presidente Lula (PT), que no último dia 9 levou ao tribunal a acusação de que a empresa americana estaria interferindo na disputa eleitoral a favor do candidato do PL.
Os advogados do petista argumentaram que a Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, falhava em entregar conteúdos de Lula e de seus apoiadores. Eles também pediram informações sobre propagandas negativas impulsionadas contra o presidente.
Agora é Flávio quem afirma estar sendo prejudicado pela empresa. “A negligência da Meta está a converter a vida da campanha de Flávio e do Tribunal Superior Eleitoral num eterno e inaceitável enxugar de gelo”, diz o documento.
O candidato diz que os anúncios negativos são impulsionados por conta oficial de Lula e por terceiros.
Procurada, a empresa afirmou que “não toma partido nesta nem em nenhuma outra eleição”. “Alegações de que favorecemos qualquer uma das campanhas na disputa presidencial no Brasil não têm fundamento. Continuaremos a aplicar nossas regras, cumprindo a legislação eleitoral brasileira e corrigindo erros.”
Funcionários da Meta admitiram em mensagens internas restrições que prejudicaram as contas de Lula no Instagram, assim como a recomendação algorítmica do perfil de Flávio Bolsonaro na plataforma e no canal do candidato no WhatsApp, prática vedada pelo TSE.
No dia 9 de outubro, o perfil oficial de Lula ficou impossibilitado de impulsionar postagens feitas no Instagram por quase 24 horas.
“Se a Meta eventualmente errou ao restringir, por algumas horas, a conta de anúncios de uma candidatura, esse erro não pode ser examinado isoladamente, como se fosse o único fator de desequilíbrio, enquanto a outra candidatura suporta, há meses, a distribuição paga e massiva de propaganda negativa, por contratantes não legitimados e por páginas sem responsável identificado”, afirma a campanha de Flávio.
Nas conversas internas executivos da empresa também falaram sobre a possibilidade de divulgar casos de falhas que afetariam também o candidato do PL, para desfazer a narrativa de que haveria interferência a seu favor.
Na quarta-feira (14), o PT voltou a acionar o TSE após ter registrado que a inteligência artificial da Meta se recusava a criar material de campanha para o presidente, ao mesmo tempo que atendia pedidos semelhantes em relação ao senador.
Na quinta (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, determinou que a Meta adotasse medidas para garantir tratamento igualitário às campanhas, prevendo multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.
“Se a isonomia é de regras e de critérios, como corretamente assentou a decisão, novas diligências devem ser ordenadas pela Meta, agora consideradas as denúncias da campanha adversária”, diz a manifestação da campanha de Flávio.
Na sexta-feira, procurada pela Folha de S. Paulo, a equipe do filho de Bolsonaro havia negado que houvesse qualquer problema com as contas do candidato no Instagram e WhatsApp. “A campanha cumpre todas as regras da plataforma e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, por isso, não registrou nenhum problema com a conta de anúncio do candidato, que segue operando de maneira adequada e sem interrupção.”
No mesmo dia, a campanha ingressou com a manifestação no tribunal, pedindo que a Meta seja obrigada a impedir ações irregulares de uma série de páginas que, segundo a equipe, já impulsionaram conteúdos negativos contra Flávio.
A campanha também pede que a empresa vede o impulsionamento de fatos inverídicos ou “gravemente descontextualizados”. Os advogados querem ainda que a Meta “se abstenha de aprovar e de entregar impulsionamento de propaganda negativa contra qualquer das candidaturas que disputam o segundo turno”.
A campanha de Flávio está preocupada com a reação digital do campo petista após o primeiro turno, liderada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Na última semana, a campanha do filho de Bolsonaro tentou derrubar o canal do WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo parlamentar, que acumula mais de 4 milhões de seguidores.
Como mostrou o Painel, ainda que prometa em seu programa um “tesouraço na censura”, Flávio já pediu, em uma única ação, o bloqueio de 32 perfis alinhados a Lula, sob o argumento de que estariam espalhando notícias falsas. O candidato também está numa ofensiva jurídica para tentar derrubar peças do petista que insinuam que haverá cortes em programas sociais caso Flávio seja eleito. (Com informações da Folha de S. Paulo)
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