Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de setembro de 2026
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, acusou, nesse sábado (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de tentar “comprar o voto dos mais pobres” com o reajuste do Bolsa Família e classificou a medida como um “ato de desespero” na reta final da eleição. Durante comício em Joinville (SC), o presidenciável questionou o momento escolhido pelo governo para elevar o benefício e afirmou que Lula poderia ter adotado a medida nos três primeiros anos do mandato.
“O desespero do sistema bateu de vez. O Lula fez uma confissão há dois dias, quando, num ato de desespero, ele aumentou o Bolsa Família. Ele deu a prova de que ele não pensa no povo brasileiro, de que ele pensa só nele”, afirmou Flávio.
O governo anunciou na quinta-feira o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, elevando o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691. O novo valor começa a ser pago em outubro. O governo sustenta que a medida corresponde à recomposição da inflação acumulada desde 2023 e não altera os critérios para recebimento do programa.
No discurso, o candidato afirmou que Lula poderia ter elevado o benefício em 2023, 2024 ou 2025 e citou ainda o envio da proposta de Orçamento para o próximo ano como outra ocasião em que, segundo ele, o governo poderia ter previsto o reajuste.
“Se ele pensasse no povo brasileiro, ele tinha feito isso lá em 2023, no primeiro ano de governo. Não fez. Poderia ter feito em 2024, não fez. Podia ter feito em 2025, também não fez. Podia ter feito há duas semanas, quando mandou o Orçamento para o ano que vem, também não fez”, disse.
“Sabe o que ele fez, gente? Ele viu as pesquisas, aí ele foi e tentou comprar o voto dos mais pobres, dando R$ 90 de reajuste para o Bolsa Família. Que vergonha, Lula”, afirmou.
Apesar das críticas, Flávio já afirmou que manterá o novo valor do Bolsa Família caso seja eleito. A campanha também decidiu não recorrer à Justiça Eleitoral contra o reajuste. O deputado federal Zé Trovão (PL-SC), no entanto, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar a medida. O pedido foi rejeitado pelo ministro André Mendonça, que não analisou o mérito por considerar que o parlamentar não tinha legitimidade para apresentar a ação.
Ao desenvolver o tema no discurso, Flávio afirmou ainda que pretende permitir que beneficiários que consigam emprego continuem recebendo o Bolsa Família por um período até se estabilizarem financeiramente. Segundo o candidato, a ideia é reproduzir uma regra adotada durante o governo de Jair Bolsonaro.
“Quem recebia o Bolsa Família com o presidente Bolsonaro e conseguiu emprego continuava ganhando o Bolsa Família por um tempo, até se estabilizar. E com a gente vai ser igual. A gente precisa abraçar quem precisa”, afirmou.
Flávio disse que o objetivo seria estimular a saída gradual do programa por meio da entrada no mercado de trabalho. Em outro momento, questionou se beneficiários desejariam que os filhos permanecessem dependentes do auxílio e voltou a citar a proposta “Minha Primeira Empresa”, já incluída em seu programa de governo, para estimular jovens a abrir negócios.
“Você acha que (quem recebe Bolsa Família) quer deixar de herança para o seu filho Bolsa Família? Ou quer deixar de herança um filho que estudou num colégio bom, de qualidade, que conseguiu concluir o seu ensino (…) e conseguiu um emprego bom?”, disse.
No ato em Joinville, Flávio também reforçou a estratégia de buscar a concentração de votos na reta final para tentar encerrar a disputa já no primeiro turno.
“Não vamos perder as oportunidades, vamos resolver no primeiro turno para começar a recolocar o Brasil nos trilhos”, afirmou. As informações são do jornal O Globo.
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