Quarta-feira, 02 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 12 de julho de 2024
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que nunca manteve contato com integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). “Simplesmente não existia nenhuma relação minha com a Abin. Minha defesa atacava questões processuais (da investigação sobre rachadinha), portanto, nenhuma utilidade que a Abin pudesse ter”, declarou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O parlamentar também criticou a operação de deflagrada pela Polícia Federal nesta semana. “A divulgação desse tipo de documento, às vésperas das eleições, apenas tem o objetivo de prejudicar a candidatura de Alexandre Ramagem à prefeitura do Rio de Janeiro”, disse o senador. Pré-candidato na disputa municipal deste ano com apoio da família Bolsonaro, Ramagem não foi alvo da ofensiva de ontem. O ex-diretor da Abin teve endereços vasculhados na segunda etapa da operação, realizada em janeiro deste ano. O deputado comandou a Abin entre os anos de 2019 e 2022.
A Polícia Federal abriu na quinta-feira, 11, nova etapa da operação que mira o uso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em esquema de espionagem no governo passado e prendeu quatro suspeitos de atuarem na “criação de perfis falsos e divulgação de informações falsas” sobre pessoas consideradas adversárias do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a PF, foram monitorados de forma ilegal ministros do Supremo Tribunal Federal, parlamentares, servidores públicos e jornalistas. A corporação também disse ter identificado áudio de reunião em que Bolsonaro articula com o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem a blindagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito da “rachadinha”.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, por meio do advogado Fabio Wajngarten, disse não ter tido acesso à gravação da reunião citada no relatório da PF e afirmou que o áudio não apareceu até o momento.
Em vídeo publicado na rede social X (antigo Twitter) na tarde de quinta-feira, 11, Flávio negou envolvimento com a “Abin Paralela” e alegando ser vítima de criminosos que acessaram ilegalmente os seus dados.
“O grupo especial de Lula na Polícia Federal [PF] ataca novamente. Na ocasião em que eu fui vítima de criminosos que acessaram ilegalmente meus dados sigilosos na Receita Federal”, afirmou.
“Eu peticionei formalmente junto à Receita para saber quem tinha feito isso. E sabe qual foi a resposta? Indeferido, porque se tratava de informações sigilosas em que eu só poderia ter acesso mediante decisão judicial”, disse o senador.
Segundo o parlamentar, ele interpôs um habeas data para saber quem acessou os seus dados particulares porque a Receita teria negado o acesso durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro. “Se o presidente [referindo-se a Bolsonaro] interferisse em alguma coisa, eu não precisaria entrar na Justiça”, pontuou.
O filho do ex-presidente afirma que até hoje não teve resposta da solicitação, porém, ouviu dizer que houve a criação de processos administrativos e disciplinares contra “criminosos da Receita”, o que supostamente resultou na punição de dez pessoas.
“Veja só em quanta gente acessou indevidamente os meus dados. Parece que tinha uma força-tarefa do crime dentro da Receita contra mim”, argumentou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.