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Política Flávio Bolsonaro pretende adotar, neste início de pré-campanha, um tom mais leve para evitar a retomada do discurso de risco à democracia e atrair o eleitorado de centro

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A avaliação de aliados é que o movimento busca construir uma imagem mais palatável.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
"O importante é a gente estar junto para derrotar o PT", declarou o senador. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende adotar, neste início de pré-campanha, uma estratégia de moderação no discurso, com o objetivo de ampliar o diálogo com o eleitorado de centro e reduzir resistências associadas à polarização política. Ao mesmo tempo, a estratégia do pré-candidato passa por explorar o desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a percepção de “cansaço” de parte do eleitorado em relação ao atual governo.

A avaliação de aliados é que o movimento busca construir uma imagem mais palatável, com menor exposição a temas que geram rejeição e maior abertura para segmentos nos quais o ex-presidente Jair Bolsonaro teve desempenho inferior em 2022, como o eleitorado feminino. Nesse cenário, ataques mais diretos ao governo devem ser feitos por apoiadores, enquanto o senador mantém um tom mais moderado.

O reposicionamento inclui ajustes no discurso público e nas redes sociais, com o objetivo de ampliar o alcance para além da base ideológica. A estratégia também tenta evitar a associação do pré-candidato ao debate sobre risco à democracia, frequentemente explorado por adversários políticos.

Em evento recente, Lula voltou a colocar o tema no centro do debate ao afirmar que há risco à democracia no país. A declaração foi feita durante ato político em São Bernardo do Campo (SP), que contou com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que a adoção de um tom mais leve, combinada com críticas mais técnicas ao governo, pode ajudar a reduzir a rejeição — atualmente em torno de 45% — e ampliar o espaço eleitoral do senador.

Coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) afirma que um dos eixos da estratégia será reforçar a ideia de desgaste da atual gestão. Segundo ele, o objetivo é mostrar ao eleitorado que o governo não apresenta novidades e mantém práticas já conhecidas.

Na mesma linha, o líder do PL na Câmara, Zucco (PL-RS), também tem adotado discurso crítico à atual administração federal.

Na prática, o próprio Flávio Bolsonaro já tem sinalizado essa mudança de postura. Em discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo, no fim de fevereiro, evitou ataques pessoais ao presidente e concentrou críticas em temas como economia e segurança pública.

Aliados avaliam que a estratégia começa a apresentar resultados e deve ser mantida ao menos até o período das convenções partidárias, previsto para agosto. Levantamentos recentes indicam redução da diferença entre o senador e Lula em cenários de segundo turno.

O cenário também reflete o nível de avaliação do atual governo. Pesquisas apontam que a gestão federal chega à fase final do mandato com índices de aprovação abaixo do observado em administrações que conseguiram reeleição ou eleger sucessores nas últimas décadas.

(Com informações do jornal O Estado de S.Paulo)

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