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Acontece Fórum Econômico Gaúcho reúne lideranças para discutir recuperação e futuro da economia do RS durante a Expointer

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Nona edição do evento, promovido pela Rede Pampa em parceria com o Banrisul, reuniu autoridades, empresários e representantes do agronegócio na Casa da Rede Pampa.

Foto: Anna Alves.

A Casa da Rede Pampa, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, recebeu, nesta quinta-feira (3), a nona edição do Fórum Econômico Gaúcho. Realizado durante a Expointer, o encontro reuniu autoridades, empresários, produtores rurais e lideranças de diferentes setores para discutir os desafios e as perspectivas para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul.

Com o tema “Colaboração para a Era de Transformações”, o evento, promovido pela Rede Pampa em parceria com o Banrisul, colocou em pauta questões como crédito, endividamento dos produtores, eventos climáticos, infraestrutura, agricultura, pecuária e os caminhos para a retomada da economia gaúcha.

Para o presidente da Rede Pampa, Alexandre Gadret, o objetivo do fórum é promover um espaço de discussão entre lideranças empresariais, políticas e setoriais sobre temas que impactam diretamente o desenvolvimento do Estado.

“O nono Fórum Econômico Gaúcho tem a proposta de debater e discutir com grandes lideranças empresariais, políticas e setoriais assuntos relevantes para o nosso desenvolvimento econômico, especialmente a pauta da agricultura, da pecuária e daquilo que move a economia do Rio Grande do Sul, que é o agro”, afirmou.

Gadret destacou ainda que a realização do encontro durante a Expointer reforça a importância do agronegócio para a economia estadual. Segundo ele, a feira reúne justamente os setores que precisam estar envolvidos nas discussões sobre o futuro do Rio Grande do Sul.

“Nós temos justamente aqui todas as lideranças presentes discutindo tanto os empecilhos, os obstáculos, como as soluções para esses pontos que a gente precisa melhorar do nosso Estado. E, se o agro vai bem, o Rio Grande vai bem. É aqui o fórum adequado para que nós possamos discutir esses grandes temas e fazer com que o nosso Estado não pare de crescer”, disse.

O vice-presidente da Rede Pampa, Paulo Sérgio Pinto, também ressaltou a diversidade de segmentos presentes no evento. De acordo com ele, representantes do Sistema Farsul, Fiergs, Cotrijal, Banrisul, cooperativismo, agricultura e pecuária participaram das discussões, permitindo uma visão ampla sobre os desafios econômicos do Estado.

“Não faltou nada e nem um setor que não pudesse ser abordado, que não pudesse ser tratado. Então, a gente está projetando o futuro com essas pessoas e foi isso que a Rede Pampa, o Banrisul e a Cotrijal pretenderam fazer”, afirmou.

Paulo Sérgio destacou ainda o papel da imprensa em aproximar a população de discussões que, muitas vezes, ficam restritas ao ambiente empresarial ou às entidades representativas. Para ele, o debate econômico precisa chegar à sociedade porque as decisões tomadas pelos setores público e privado têm reflexos diretos no cotidiano.

“Qual é o papel de um veículo de comunicação? É ser o elo de ligação entre o que acontece em determinadas instituições, especialmente o setor público, governamental e a sociedade. O que vai ser feito no setor público que possa impactar no privado? O que vai ser feito no privado que possa impactar no público?”, questionou.

Entre os principais assuntos discutidos esteve a situação financeira dos produtores rurais gaúchos. O presidente da Cotrijal, Nei César Manica, afirmou que o setor atravessa um período de forte endividamento, agravado por enchentes, estiagens, preços baixos, produtividade reduzida e aumento dos custos de produção.

“O produtor, principalmente do Rio Grande do Sul, vem num endividamento muito grande, em cima das frustrações, enchente, preços baixos, produtividade baixa e altos custos de produção”, afirmou.

Manica também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelos produtores no acesso ao crédito. Segundo ele, os recursos disponíveis são insuficientes e as condições financeiras dificultam novos investimentos no campo.

“Hoje nós temos uma dificuldade muito grande de crédito. Primeiro, o crédito está muito seletivo, pouco recurso disponível em termos de competitividade com taxas de juros. E o produtor está tendo dificuldade de acessar”, disse.

Na avaliação do presidente da Cotrijal, algumas medidas são necessárias para dar maior segurança ao setor produtivo, entre elas o alongamento das dívidas, a oferta de taxas compatíveis, a criação de um fundo garantidor e um seguro rural mais adequado.

“Ele precisava de um apoio, um incentivo: primeiro, um alongamento da dívida com taxas compatíveis; segundo, ter um fundo garantidor; terceiro, ter um seguro mais compatível”, afirmou.

Além das questões financeiras, Manica defendeu investimentos em tecnologia e inovação como forma de enfrentar os efeitos dos eventos climáticos sobre a produção agrícola. Entre as alternativas citadas estão a irrigação, a rotação de culturas e do solo, a cobertura e o uso de variedades mais resistentes.

“Nós precisamos usar a tecnologia, a inovação para enfrentar essas tendências de dificuldade climática”, declarou.

Representando o governo estadual, o secretário de Justiça do Rio Grande do Sul, Fabrício Peruchin, destacou a importância de discutir a recuperação econômica do Estado dentro da Expointer, em um momento em que o agronegócio busca superar os efeitos de sucessivos eventos climáticos extremos.

“Mais uma vez, a Rede Pampa está na vanguarda, trazendo aqui para o coração do Rio Grande, nesse momento, na nossa maior feira a céu aberto da América Latina, discutindo exatamente o que nós precisamos para retornar à nossa pujança do agro”, afirmou.

Peruchin ressaltou os impactos das estiagens e enchentes registradas nos últimos anos e defendeu maior atenção ao produtor gaúcho por parte do governo federal e das instituições financeiras.

“Nós tivemos 12 eventos climáticos extremos nos últimos quatro anos, entre estiagens e enchentes. Então, nós precisamos do olhar do governo federal e das nossas instituições financeiras para trabalhar o nosso solo gaúcho, o nosso produtor gaúcho, porque é daqui que nós fazemos o celeiro do mundo para produzir grão, alimento e a pujança que o nosso Estado exporta para o mundo todo”, disse.

O secretário também avaliou a situação das contas públicas do Rio Grande do Sul e afirmou que a renegociação da dívida será um dos principais desafios para o próximo governador. Segundo ele, o Estado precisará manter o diálogo com o governo federal para preservar a capacidade de investimento.

“Certamente o próximo governador do Estado terá que começar o seu trabalho pela renegociação da nossa dívida pública”, afirmou.

Peruchin destacou que o equilíbrio das contas permitiu ao Estado ampliar investimentos, mas avaliou que a situação da dívida ainda representa um obstáculo para a recuperação econômica.

“O que fez a gente conseguir atingir os níveis de investimentos que nós fizemos foi colocar as contas em dia, mas também termos o parcelamento da dívida em razão da grande enchente de 2024”, explicou.

Para o secretário, a aproximação entre governo e iniciativa privada é fundamental para que as demandas apresentadas pelo setor produtivo possam resultar em medidas concretas.

“O Estado tem que estar junto do privado. É só assim que as coisas funcionam”, resumiu.

Ao reunir representantes de diferentes setores na Expointer, o IX Fórum Econômico Gaúcho buscou aproximar as demandas do poder público, das empresas, das entidades e dos produtores. A proposta, segundo os organizadores e participantes, é fazer com que as discussões não terminem no auditório, mas possam contribuir para a construção de soluções para os desafios enfrentados pelo Estado.

Para Paulo Sérgio Pinto, esse diálogo também faz parte da função da Rede Pampa enquanto veículo de comunicação, ao aproximar as decisões e discussões dos setores público e privado da sociedade.

“É isso que nós pretendemos e é o objetivo de sempre fazer e acredito que fizemos hoje”, afirmou.

Na mesma linha, Nei César Manica reforçou que o fórum funciona como um espaço para que o setor produtivo apresente suas demandas diretamente às autoridades e entidades responsáveis pela construção de políticas para o campo.

“Esse fórum oportuniza para que as entidades que aqui passam possam trazer a sua sugestão, sua opinião e a cobrança também para que as entidades e autoridades consigam ajudar o setor produtivo”, declarou.

Com a nona edição, o Fórum Econômico Gaúcho reforça a proposta de reunir diferentes setores em torno de um mesmo objetivo: discutir caminhos para que o Rio Grande do Sul supere os desafios econômicos, climáticos e financeiros e volte a ampliar sua capacidade de crescimento. Em meio à Expointer, o debate colocou no centro da agenda temas que impactam diretamente produtores, empresas, governo e, consequentemente, a vida dos gaúchos.

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