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Futebol Fracasso na Copa reaviva fogo amigo contra o presidente da CBF e a luta por poder na entidade

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Logo no início da Copa-2026, o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Samir Xaud, passou por sua primeira crise no cargo. (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Logo no início da Copa-2026, o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Samir Xaud, passou por sua primeira crise no cargo, quando o colunista Léo Dias divulgou que ele havia usado dinheiro da entidade para bancar gastos de amigas em viagens internacionais.

Xaud e a CBF negaram, respondendo que “despesas particulares dos dirigentes são arcadas pelos próprios”, mas o vazamento de gastos faturados para a confederação mostrou que alguém com acesso à contabilidade da entidade trabalhava para minar o cartola.

Enquanto a seleção avançava, o problema adormecia, e Xaud aparecia em flashes da transmissão de TV ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino.

O fracasso da eliminação nas oitavas de final reavivou o fantasma do fogo amigo. No dia seguinte à eliminação do Brasil, o diário Lance! revelou que duas viagens internacionais feitas por uma irmã de Xaud em datas de dois amistosos da seleção (contra Coreia do Sul, em Seul, e Japão, em Tóquio, em outubro de 2025) foram faturadas pela CBF. Mais uma vez o cartola disse que no fim foi ele quem pagou, e não a confederação.

O jornal também mostrou comprovantes de que passagens e hospedagens das amigas citadas na reportagem de Léo Dias tiveram pagamento corporativo e que, em um dos casos, as despesas foram faturadas pela CBF com centro de custo da presidência.

A tentativa de fritura de Xaud, no cargo há pouco mais de um ano, é alimentada por um tabuleiro complexo de interesses políticos e econômicos, cujos atores são tanto inimigos claros quanto aliados que num piscar de olhos podem virar algozes –como ocorreu com o antecessor de Xaud no cargo, Ednaldo Rodrigues.

Oriundo de Roraima, um estado inexpressivo no futebol, Xaud foi alçado à presidência pelas federações estaduais, que têm mais poder de voto que os clubes, e pelo grupo que dá as cartas hoje na CBF, liderado pelo advogado Francisco Schertel Ferreira Mendes, conhecido como Chico Mendes, diretor-geral do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) e filho do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e por Gustavo Dias Henrique, um dos oito vice-presidentes da confederação.

Chico Mendes não tem cargo na CBF. Representa a entidade no Comitê Disciplinar da Fifa e é, desde dezembro passado, vice-presidente da Federação Matogrossense de Futebol.

Seu poder na entidade que administra o futebol nacional vem de um contrato, assinado em 2023, entre IDP e CBF Academy, braço da confederação para cursos, pelo qual o instituto cuida de toda a parte acadêmica e fica com 84% da receita –o restante vai para a CBF.

No ano da assinatura, a receita da CBF Academy era próxima de R$ 10 milhões, mas estima-se que tenha crescido consideravelmente desde então.

Apesar de o contrato ser relativo à CBF Academy, na prática o IDP lidera hoje a gestão da CBF como um todo, tendo indicado dirigentes-chave como os diretores financeiro (Valdecir de Souza) e jurídico (André Mattos) e o vice Gustavo Dias Henrique –atual homem-forte da entidade junto com o sem-cargo Chico Mendes.

É um grupo tratado pelos cartolas da velha guarda como “a turma de Brasília”, onde fica a sede do IDP.

Na última terça (7), dois dias após a eliminação pela Noruega, num jogo onde o Brasil foi apático e sofrível tecnicamente, Gilmar Mendes, sócio-fundador do IDP e pai de Chico Mendes, foi ao X elogiar a seleção e seu treinador.

“Encerrada nossa participação na Copa de 2026, fica a gratidão”, escreveu o ministro do STF. “Agora, rumo a 2030, começa um novo ciclo. A permanência de Carlo Ancelotti à frente da equipe dá solidez a esse recomeço, e a Seleção que se renova encontrará no torcedor, uma vez mais, a sua maior força.”

Gilmar Mendes agradeceu nominalmente aos 26 convocados, “sob o competente comando de Ancelotti e sua comissão técnica”, e fez uma menção especial ao jogador mais midiático do grupo. “E a Neymar, uma justa homenagem à sua trajetória: ao representar o Brasil em quatro Copas (…), nos emocionou com seu talento, categoria e gols que marcaram época. Minha gratidão por tudo o que representa para o nosso futebol, e a certeza de que seguirá encantando torcedores em todo o mundo.”

Na ferramenta do X que permite aos leitores adicionarem contexto a certas mensagens, foi acrescentado: “Gilmar Mendes não mencionou, mas ele próprio e o filho têm grande influência na CBF”.

Apesar de o contrato da CBF com o IDP já estar em vigor, Gilmar não se declarou impedido para julgar ações no STF relativas à confederação na gestão Ednaldo Rodrigues.

Depois de perder apoio político no colégio eleitoral que meses antes o reelegera com a maior votação da história da CBF, Ednaldo acabou afastado do cargo pela Justiça do RJ em maio de 2025, abrindo caminho para a chegada de Xaud.

Tanto aliados quanto adversários afirmam que Chico Mendes almeja presidir a CBF, a dúvida é quando. O mandato de Xaud vai até 2029.

Nos bastidores, circulam diferentes versões para o vazamento de dados internos da CBF que fragilizam o atual presidente. Uma delas dá conta de que “a turma de Brasília” estaria disposta a já derrubar o preposto Xaud para assumir diretamente o poder.

Outra hipótese, essa aventada por fontes ligadas à “turma de Brasília”, é que o empresário Luiz Estevão, que mantém negócios com a CBF (organiza jogos e comprou direitos da Série D), teria tido algum interesse contrariado e teria atacado Xaud por meio de Léo Dias, que já foi funcionário do seu grupo de mídia (Metrópoles) e com quem mantém boa relação.

Os personagens tidos como potenciais autores do fogo amigo negam a autoria dos vazamentos.

Há ainda uma briga intestina, que mistura política, negócios e muito dinheiro, em torno da criação de uma liga de clubes para profissionalizar a gestão da elite do futebol nacional e substituir a CBF na organização do Campeonato Brasileiro.

Nessa frente, as maiores adversárias da confederação são as empresas SportsMedia e LiveMode. Ambas estão conectadas à FFU (Futebol Forte União, antiga Liga Forte União), um dos dois grupos que tentam criar a liga de clubes (o outro é a Libra), a SportsMedia como investidora e a LiveMode como agência negociadora dos direitos comerciais e de TV. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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