Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de maio de 2021
Vários influenciadores franceses das redes sociais disseram ter sido abordados por uma agência de comunicação que lhes ofereceu dinheiro para disseminar publicidade negativa contra a vacina da Pfizer para a covid-19, em um incidente que o Ministério da Saúde descreveu como perigoso e irresponsável.
Atuantes na área de saúde e ciência, esses influenciadores explicaram que receberam um e-mail de uma agência de comunicação supostamente sediada no Reino Unido, oferecendo-lhes uma “parceria”, e que atuava em nome de um cliente com um “colossal orçamento”, mas que desejava manter o anonimato.
Léo Grasset, cujo canal de YouTube DirtyBiology tem mais de 1 milhão de assinantes, disse em sua conta no Twitter que lhe ofereceram dinheiro para criticar a vacina da Pfizer.
“Recebi uma proposta de parceria para detonar a vacina da Pfizer em vídeo. Orçamento enorme, um cliente que quer permanecer anônimo… se vocês virem vídeos sobre isto, saberão que é uma cilada”, tuitou.
“Incrível. O endereço da agência de Londres que me contatou é falso. Nunca existiu instalações lá, é um centro de laser estético! Todos os funcionários têm perfis suspeitos no LinkedIn … que desapareceram desde esta manhã. Todo mundo já trabalhou antes na Rússia”, completou.
Não ficou claro quantas pessoas receberam tais pedidos, de onde eles se originaram ou por que visaram a vacina da Pfizer, a mais administrada na França um país com tradição de ceticismo em relação a vacinas.
A Pfizer não comentou o assunto.
Em abril, um relatório da União Europeia disse que Rússia e China estão tentando semear desconfiança de vacinas contra covid-19 ocidentais de forma sistemática em suas campanhas de desinformação direcionadas ao Ocidente.
“Não sei de onde isto vem, da França ou do exterior”, disse o ministro da Saúde francês, Olivier Verán, na BFM TV nesta terça-feira (25). “É patético, é perigoso, é irresponsável e não funciona”.
A vacina Pfizer ganhou notoriedade após os problemas de sua concorrente sueco-britânica AstraZeneca, cuja reputação foi manchada por alguns casos raros de coágulos sanguíneos e atrasos persistentes nas entregas.
Nesta terça, um youtuber alemão ativo no mesmo setor, Mirko Drotschmann, com cerca de 1,5 milhão de assinantes, explicou que havia recebido uma proposta semelhante. “Posso confirmar que é da mesma agência. Fiquei surpreso com o pedido”, disse.
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